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O PSD volta a subir, mas não por causa de Tancos

O PSD volta a subir, mas não por causa de Tancos

O PSD, com uma subida de 1,3 pontos (27,7%), é o protagonista deste domingo na sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF e TVI. Efeitos do caso Tancos? Talvez não, porque o PS também sobe (37,7%). O CDS ganha fôlego e volta aos 4,4%.

Mais para a Esquerda, o sentimento é um pouco mais negativo, uma vez que BE (10%) e CDU (6,3%) estão em ligeira perda (mais os bloquistas do que os comunistas). O PAN mantém a regularidade (3,1%): nunca chega aos quatro pontos percentuais, mas também nunca baixa dos três.

Entre os partidos mais pequenos, o dado mais relevante é a perda de quase um ponto percentual para o Iniciativa Liberal (fica nos 1,1%), o que, conjugado com as subidas de PSD e CDS, significa que há uma recomposição dos apoios no Centro-Direita. Os eleitores parecem agora mais virados para os partidos tradicionais.

A "tracking poll" da Pitagórica para o JN não inclui perguntas sobre o caso Tancos, pelo que a análise ao impacto do escândalo nas opções dos eleitores será sempre incompleta. E se já se pode afirmar que todos os indivíduos incluídos na amostra (cerca de 600) foram entrevistados depois das primeiras notícias sobre a acusação, é preciso notar que o tema só explodiu na campanha na passada quinta-feira, com o ataque cerrado de Rui Rio a António Costa. Quer isto dizer que os próximos dois dias podem ainda trazer surpresas.

Enquanto o futuro não chega, recordemos o que nos dizem as tendências dos últimos dias, quando o impacto de Tancos já se podia fazer sentir parcialmente: socialistas e centristas com dois dias seguidos a perder gás; o PSD com quatro dias seguidos de perdas. Conclusão mais ou menos óbvia: se o PS perdeu alguma coisa nos primeiros dias de Tancos, não foram os dois partidos mais à Direita que ficaram a ganhar.

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O resultado deste domingo mostra-nos uma inversão de tendência no PSD e no CDS, que ganham, em conjunto, mais de dois pontos percentuais. Sucede que a tendência também se inverte para o PS (sobe seis décimas). Junte-se a possibilidade de boa parte da subida dos dois primeiros se ficar a dever à perda dos Liberais. Conclusão mais ou menos óbvia: se os dois partidos mais à Direita ganharam alguma coisa no último dia com Tancos, não foi à custa dos socialistas.

Mais do que Tancos, poderá haver outros factores que estão efetivamente a favorecer o PSD relativamente ao PS. Ainda que os números não confirmem a retórica de Rui Rio em campanha - não há uma luta taco a taco -, é verdade que a diferença entre os dois está a estreitar-se há quatro dias: são agora dez pontos. A má notícia é que reduziu "apenas" dois pontos nesses quatro dias. E já só faltam cinco de campanha. Quando se analisam os resultados dos diferentes segmentos (intenção direta de voto, sem distribuição de indecisos), consegue perceber-se melhor como se mexem as diferentes linhas dos dois exércitos. Ainda que seja importante salientar que a análise de qualquer segmento (idade, rendimento, região) deve ser lida com reservas, uma vez que são amostras com um número reduzido de inquiridos.

O PSD passa para a frente do PS na faixa etária dos 45/54 anos (à custa de uma subida dos sociais-democratas) e empata nos 18/34 anos (à custa de uma descida do PS). Mas os socialistas conservam uma vantagem decisiva no maior segmento (55 e mais anos): têm o dobro do apoio (42% face a 21,2%).

No que diz respeito aos escalões de rendimento, não há movimentos significativos para relatar, mas na batalha pela geografia, apesar do PS manter a liderança em todo o continente, os exércitos movimentam-se: no Norte e no Porto, o PSD reduz distâncias; em Lisboa, é o PS que se afasta (18 pontos de diferença).


O Bloco de Esquerda tem sido, a par do PAN, o partido mais regular ao longo desta "tracking poll". Arrancou mais abaixo, mas chegou rapidamente a projeções acima de 10 pontos (com distribuição de indecisos) e por lá se manteve, ainda que com ligeiras oscilações (como a de hoje, em que perde quatro décimas).

Vale a pena, por isso, espreitar a evolução da votação do BE nos diferentes segmentos (idades, rendimentos e regiões), ainda que repetindo a salvaguarda de que são amostras reduzidas e, portanto, a ler com reserva. Acresce que usámos como referência os resultados do BE no primeiro dia (quando estiveram mais abaixo), no quinto dia (quando atingiram o topo) e deste domingo.

Assim, e o que diz respeito às faixas etárias, apesar das naturais oscilações, o apoio mais consistente vem dos eleitores entre 45 e 54 anos (sempre próximo ou acima dos 10 pontos, sendo estes valores os da intenção direta de voto, sem distribuição de indecisos). Outra evidência é que os bloquistas conseguem quase sempre captar uma boa percentagem do voto mais jovem (18/34 anos), ainda que aqui a oscilação seja a regra.

Relativamente à riqueza, têm sido sempre os inquiridos de maior rendimento (dos quatro escalões em que a amostra é dividida) os mais firmes no apoio ao BE: quase sempre acima dos 10 pontos e neste momento a bater nos 13. Nota-se igualmente uma tendência para um peso cada vez maior da metade mais rica relativamente aos dois escalões mais pobres.

Finalmente, no jogo geográfico, foi na região Norte que o Bloco registou a maior evolução ao longo desta sondagem diária (está acima de 11 pontos), enquanto no Centro parece estar em queda (ainda que ligeira). Nas duas grandes áreas urbanas a tendência é para ganhar força no Porto (tem agora um pouco mais de oito pontos) e perder alguma em Lisboa (marca cerca de sete pontos).

Já aqui se fez referencia à recuperação do CDS. Caiu para uma projeção de 3,6%, mas regressa agora aos 4,4%. O cenário continua a ser negativo (é a mesma percentagem que deu origem ao epíteto de "partido do táxi", em 1987), mas vale a pena ver o que mudou e onde.

É claramente entre o eleitorado mais velho que os centristas recuperam o fôlego: o melhor resultado, acima de quatro pontos, é nos que têm 55 ou mais anos. Ao nível do rendimento, a recuperação distribui-se por todo o espectro, com a exceção de uma classe média com um rendimento um pouco maior, onde voltam a cair. Ao nível regional, é de Lisboa que chegam os melhores sinais, ultrapassando a barreira dos cinco pontos e, com isso, a CDU.

A recuperação do CDS pode muito bem estar a acontecer devido às perdas do Iniciativa Liberal. Este novo partido perdeu metade do apoio de um dia para o outro. Mantém o mesmo padrão (homens entre 35 e 44 anos; os que têm mais rendimentos; Porto e Lisboa), mas agora são menos e fica mais difícil o sonho de chegar ao Parlamento.


20% O número de indecisos nunca foi tão baixo, desde que se deu início a esta "tracking poll". As mulheres (22,7%) continuam com mais dúvidas do que os homens (17,1%). Da mesma forma, continuam a ser os mais jovens (27,3%) e os mais pobres (34,5%) os mais indecisos.

+ 14,2 Rui Rio continua a ser o campeão dos portugueses, quando se pesa a relação entre os que mudaram a sua opinião para melhor e os que mudaram para pior, depois de ver o líder do PSD em campanha. Tem um saldo positivo de 14,2 pontos. Só há mais um líder partidário com saldo positivo: Jerónimo de Sousa (4,5).

- 5 António Costa ainda está abaixo da linha de água (são mais os eleitores que mudaram a sua opinião para pior do que para melhor), mas vai evoluindo positivamente e já ultrapassou Catarina Martins (saldo negativo de seis pontos), que já andou em terreno positivo.

- 15,8 O estilo de Assunção Cristas em campanha não lhe está a trazer proveitos. A líder do CDS tem saldo negativo e está no seu pior nível desde que arrancou a sondagem diária. André Silva também está em terreno negativo (-16,1), mas sempre pode dizer que, no longo prazo, recuperou muito caminho.

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