Sondagem

PS continua a travar e PSD volta a crescer

PS continua a travar e PSD volta a crescer

Ao terceiro dia de sondagem diária, o PS acumula uma perda de três pontos percentuais. De acordo com o estudo da Pitagórica para o JN, TSF e TVI, a diferença para o PSD é agora de dez pontos.

No que diz respeito aos restantes partidos, há tendências diferentes: à Esquerda há razões para uma pequena celebração, com o BE (10,4%) e a CDU (7,6%) a subirem; à Direita há motivo para preocupação, com o CDS (4,7%) a tocar no fundo.

Entre os que lutam pela vitória, o principal favorito ainda é, com toda a clareza, António Costa. Mas também se vai tornando evidente que está em trajetória descendente.

O PS marca agora 37,6%, o que significa que perdeu um ponto de um dia para o outro, que somam aos dois que já tinha perdido do primeiro para o segundo dia da "tracking poll".

Com esta projeção, os socialistas regressam aos valores de abril passado, data do arranque dos barómetros mensais da Pitagórica para o JN, perdendo todo o capital eleitoral que acumularam ao longo dos últimos cinco meses.

Na comparação com o rival mais direto, as más notícias continuam. Não só o fosso para os sociais-democratas continua a estreitar-se, sendo agora ligeiramente inferior a dez pontos percentuais (chegou a ser superior a 23 pontos em agosto), como o PSD continua a sua recuperação (lenta, mas contínua): marca agora 27,7%, mais um ponto percentual do que ontem e mais sete pontos percentuais do que em agosto, altura em que Rui Rio parece ter batido no fundo.

PSD à frente no Norte

Quando se analisam os resultados ao pormenor encontram-se algumas pistas adicionais quanto a esta aproximação entre Costa e Rio. No que diz respeito à intenção direta de voto (sem distribuição de indecisos) das diferentes faixas etárias, o PS continua a liderar no maior segmento, ou seja, nos eleitores com 55 ou mais anos, mas já não regista 20 pontos percentuais de diferença. Agora, são apenas 13. E o PSD passou para a frente na faixa dos 45-54 anos, ainda que por escassa margem de três pontos.

Quando o foco passa a ser a geografia, há também novidades: os sociais-democratas estão agora à frente dos socialistas na região Norte. A margem nas regiões mais populosas de Lisboa e Porto também reduziu, mas o PS ainda lidera tranquilamente: mais 11 e 8 pontos percentuais, respectivamente. É importante salientar, no entanto, que a análise por segmentos deve ser lida com reservas, uma vez que se trata de amostras com um número reduzido de inquiridos.

Operação Aldeia Segura

Note-se, ainda, que a queda do PS na sondagem diária coincide com o desenvolvimento do escândalo "Aldeia Segura", que nesta nova versão é uma operação policial de larga escala motivada pelas suspeitas em torno de ajustes diretos no valor de dois milhões de euros.

Uma operação que ressuscitou a memória dos vários casos de negócios de familiares de governantes com o Estado e que levou a que um secretário de Estado fosse constituído arguido e demitido. A pior propaganda possível quando faltam duas semanas para eleições legislativas.

Ao contrário, parece não estar a ter efeitos positivos para o PS a divulgação de um relatório da Procuradoria Geral da República que deu razão a António Costa, quando o primeiro-ministro fez a sua interpretação da lei sobre os negócios que familiares de membros do Governo podem ou não fazer com o Estado.

BE e CDU recuperam

A evolução do PS na sondagem diária não é famosa, mas do mesmo não se podem queixar os seus parceiros de "geringonça". Em particular o BE, que já subiu mais de ponto e meio, no decorrer desta "tracking poll", e marca agora 10,4% (um resultado melhor do que o que conseguiu em 2015.

A CDU também dá sinais de recuperação, ainda que num patamar mais baixo do que o do Bloco, como aconteceu sempre, desde abril: a projeção é de 7,6%, ou seja, os comunistas subiram quase um ponto percentual.

Sinal contrário para o CDS. Cai meio ponto percentual de um dia para o outro e quase um ponto no acumulado. Tem agora 4,7% e está ao nível mais baixo desde que se iniciou o barómetro da Pitagórica para o JN (até aqui o fundo estava nos 4,9% de agosto).

Finalmente, entre os partidos que já estão representados no Parlamento, o PAN recupera umas décimas e chega aos 3,3%. Ao contrário, o Aliança de Santana Lopes continua a trajetória descendente (0,7%) e é ultrapassado pela Iniciativa Liberal (0,9%).

25,7%

O número de indecisos ficou praticamente igual: um em cada quatro potenciais eleitores, com as mulheres (28,6%) mais indecisas do que os homens (22,4%), como tem sido regra ao longo de todas as sondagens.

64,3%

Dois terços dos portugueses não querem uma maioria absoluta de nenhum partido. Não é certo que seja essa a razão para a quebra dos socialistas, mas atente-se no pormenor: 56,6% dos inquiridos que dizem votar no PS também não querem o seu partido sozinho no Poder.

16,7

O líder partidário que mais ganha com a exposição mediática é Rui Rio. O saldo é positivo em 16,7 pontos (diferença entre quem melhorou e piorou a sua opinião do líder do PSD). Catarina Martins tem um saldo positivo de 4,1. Os restantes estão em maus lençóis, com saldos negativo: Jerónimo de Sousa (0,5), António Costa (8), Assunção Cristas (11,4) e André Silva (33,3). Sendo que os dois últimos pioram a sua avaliação de dia para dia.