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PS e PSD tiveram "prémio" de 24 deputados

PS e PSD tiveram "prémio" de 24 deputados

Se o sistema eleitoral português fosse mais proporcional, o PS teria menos 16 deputados, enquanto o PSD ficaria com menos oito eleitos. Por outro lado, teríamos maior diversidade política: seriam 12, em vez de nove, os partidos com representação parlamentar.

A CDU teve mais de 18 mil votos em Braga que "não serviram" para nada: os comunistas perderam o seu deputado pelo distrito. O Bloco conseguiu quase 14 mil votos em Viseu, que se revelaram um "desperdício". O CDS já não tem a força de outros tempos em Leiria, mas juntou quase 12 mil votos, que ficaram no "vazio". E até o PSD "deitou ao lixo" mais de oito mil votos em Beja. O único dos grandes partidos que não tem razões de queixa é o PS, que conseguiu eleger deputados em todos os distritos e regiões.

Esta é uma das consequências da divisão do país em 20 círculos eleitorais, alguns deles bastante pequenos, e que dão a sensação de que há votos que são desperdiçados - no sentido em que não são úteis para eleger deputados. E consequência ainda do recurso ao método de Hondt para o apuramento de mandatos, que não é completamente proporcional e que tende a privilegiar os maiores partidos quanto mais pequenos forem os círculos eleitorais. Veja-se o caso de Portalegre: o PS teve menos de metade dos votos (44%) mas ficou com 100% dos deputados (dois).

E qual seria o resultado se, em vez de duas dezenas de círculos, o país optasse por um único círculo nacional? A conclusão é que a proporcionalidade seria muito maior, mesmo que usássemos o mesmo método (Hondt) para distribuir os mandatos. Ou seja, o número de deputados de cada partido estaria bem mais de acordo com o que os portugueses escolheram.

O grande vencedor, o PS, continuaria a ter a maior bancada na Assembleia da República, mas, em vez de 106 deputados, teria 90 (perdia 16). O outro grande "perdedor" seria o PSD, que conseguiu 77 mandatos, mas perderia oito, para ficar nos 69. A partir daqui ficariam todos a ganhar, porque os dois grandes partidos perderiam o seu "prémio" atual de 24 deputados, que seriam distribuídos por outros 10 partidos.

Desde logo pelo Bloco de Esquerda, que em vez de 19 deputados teria 23 (mais quatro). A CDU teria mais três eleitos, chegando aos 15, enquanto o CDS duplicaria o seu grupo parlamentar de cinco para dez deputados. O mesmo milagre da multiplicação faria com que o PAN passasse de quatro para oito deputados.

Entre os partidos que se estrearam este domingo na Assembleia da República, haveria ainda mais razões para festejar. O Chega de André Ventura e o Iniciativa Liberal de Carlos Guimarães Pinto teriam três em vez de um único representante. Joacine Katar Moreira não ficaria sozinha na bancada, porque teria pelo menos mais um companheiro.

Finalmente, em vez dos nove partidos já referidos acima, a Assembleia da República teria uma diversidade bastante maior, uma vez que passaria a ser constituída por 12 partidos: o Aliança de Pedro Santana Lopes, o RIR de Tino de Rans e o PCTP-MRPP teriam todos o legítimo direito de ter a sua voz no Parlamento.