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Rio e Costa em debate: o meu Centeno é melhor do que o teu

Rio e Costa em debate: o meu Centeno é melhor do que o teu

Quem tem a melhor solução para o desenvolvimento económico do país e controlo do défice? Quem tem o melhor Centeno? Foi o que Rui Rio e António Costa tentaram mostrar no último frente a frente antes das legislativas do próximo dia 6, realizado nesta manhã de segunda-feira, em três rádios em simultâneo.

No dia em que arrancou a campanha oficial para as legislativas, no último frente a frente entre Rui Rio e António Costa, os dois adversários subiram de tom e o debate finalmente aqueceu entre ambos, com o líder do PSD a focar-se em mostrar como fará as coisas melhor do que o atual primeiro-ministro e o líder do PS a enumerar as medidas adotadas pelo Governo nos últimos quatro anos para melhorar as condições de vida dos portugueses.

Foi logo no seguimento do segundo tema lançado no frente a frente, transmitido em simultâneo pela rádios TSF, Renascença e Antena1, que os ânimos aqueceram entre Rui Rio e António Costa, a propósito da saída do Governo do secretário de Estado Artur Neves, após ter sido constituído arguido no âmbito da investigação ao caso da compra de golas inflamáveis, um caso denunciado pelo JN.

"Nunca demiti ninguém por ser arguido", vincou, de imediato, o líder do PS, lembrando prontamente os testes que indicaram que "as acusações que se fizeram sobre as golas eram falsas". "Até haver um relatório da IGAI, não tiro conclusões precipitadas", garantiu António Costa.

Em contraponto, Rui Rui foi questionado sobre a sua posição a propósito de casos de familiagate no Governo. E foi aí que o verniz quase estalou. "O PS tem um tique, que é quando está no poder olha para o Estado como se fosse dono isto tudo", atirou Rui Rio, reforçando, mais à frente: "O PS historicamente olha para o Estado como uma espécie de dono disto tudo".

O líder do PSD ainda admitiu que o seu partido não é "virgem" em matéria de jobs for the boys. "Nenhum partido é virgem nisto. O que está em causa é a intensidade com que isto se faz. O PSD nunca fez como o PS. Instala-se e é dono do Estado", endureceu, fazendo António Costa saltar da cadeira.

"Essa conversa do familiagate assenta numa enorme confusão", começou por tentar explicar o líder do PS, sublinhando que em 62 gabinetes do Governo só foram detetados "três casos, sendo que nenhum foi nomeado por ser familiar". E, de seguida, contra-atacou: "Nunca dei lições de ética a ninguém. Agora, também não recebo lições de ética de ninguém, muito menos de Rui Rio e do PSD".

"As pedras que atirou aos telhados do PS, afinal foram parar a outros telhados de vidro", ainda atiçou António Costa. "No PS, é que está a chover lá em casa, porque os telhados de vidro partiram", rematou Rui Rio.

A partir daí, o grosso do debate foi dominado pelas diferentes visões que PSD e PS têm para o desenvolvimento económico do país, redução do défice, atualizações salariais, estado da educação e transportes, com António Costa a desafiar Rui Rio a dizer que vai manter o passe social único, caso chegue ao poder, uma vez que o PSD votou contra e com Rui Rio a garantir que mantém mas com "melhorias".

E foi a partir daí que Centeno dominou, graças a uma tirada de Rui Rio, que se manifestou preocupado com o défice externo, temendo um regresso da troika. "António Costa tem o Mário Centeno. Eu também tenho". "Melhor seis meses do meu Centeno do que quatro anos do seu", respondeu António Costa, garantindo que Portugal está no bom caminho. "Temos que trabalhar em cenários credíveis. O cenário credível é mantermos esta trajetória, que nos tem vindo a permitir baixar a dívida", sustentou o candidato socialista.

O frente a frente abriu com os resultados eleitorais, na Madeira, onde o PSD ganhou mas, pela primeira vez, perdeu a maioria absoluta. "É evidente que esta vitória tem uma dimensão em termos absolutos em relação às outras mas, em termos relativos, é muito difícil fazer o que o PSD tem vindo a fazer, ganhou as eleições todas na Madeira nos últimos 43 anos", sublinhou Rio Rio.

"Perder as eleições foi algo frustrante. Mas passamos de cinco para 19 deputados. Ficamos quase lá. Foi um resultado histórico", reagiu, por sua vez, António Costa.

Pouco mais de uma hora depois, o debate fechou com Rui Rio a reafirmar que apenas admite um segundo bloco central no país (um Governo PS/PSD), numa "situação extrema", como num eventual regresso da troika. E com António Costa a admitir uma possível renovação da geringonça, após desafiado pelo líder social-democrata que considerou não estar à vista "um divórcio" entre PS e BE, apesar de alguns arrufos que vê como normais numa época eleitoral.

"É fundamental termos estabilidade na nossa vida política. Foi derrubado um muro (com a geringonça). Em quatro anos, revelou-se uma boa solução", concluiu António Costa.