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Sondagem

Rio mais perto de Costa

Rui Rio está um pouco mais próximo de António Costa na corrida eleitoral. Segundo a mais recente sondagem da Pitagórica para o JN, TSF e TVI, o fosso volta a reduzir, mas ainda há 14 pontos de diferença entre PS (40,6%) e PSD (26,6%).

O presidente social-democrata parece ter beneficiado da sua prestação no primeiro frente a frente televisivo com o secretário-geral socialista. O trabalho de campo da sondagem arrancou no dia seguinte e, quando se perguntou aos eleitores se mudaram a sua opinião sobre os candidatos, Rui Rio leva a melhor: tem um saldo positivo de 18,8 pontos percentuais.

Em sentido contrário, o que os inquiridos recordam de António Costa atiram-no para um saldo negativo de 8,4 pontos percentuais (mais gente a piorar do que a melhorar a sua opinião sobre o atual primeiro-ministro). Recorde-se que, enquanto decorria o inquérito, o Governo foi abalado pelas buscas policiais no âmbito do processo "Aldeia Segura", que acabariam por ditar a demissão de mais um secretário de Estado.

Ainda assim, isso não resultou em perda de votos para os socialistas. Se compararmos os resultados do barómetro publicado a 16 de setembro com as projeções desta primeira entrega (a "tracking poll" será atualizada todos os dias), o PS até consegue mais 1,4 pontos percentuais. Rui Rio aproxima-se porque o PSD está a crescer mais depressa: são mais 2,3 pontos percentuais do que o resultado de há uma semana.

PS forte nos mais velhos

Com a campanha eleitoral a arrancar este domingo e novo frente a frente entre Rio e Costa na segunda-feira, vale a pena destacar outros dados nesta luta particular entre os dois principais partidos. Quando se analisam os resultados do voto direto, sem distribuição dos indecisos, percebe-se que o PS mantém uma vantagem grande entre os eleitores mais velhos, mas que o PSD, ainda que por margem escassa, já consegue liderar entre os eleitores até aos 44 anos.

Os sociais-democratas lideram também as intenções de voto entre os que têm rendimentos altos, para perderem tração à medida que os eleitores vão empobrecendo. O espelho do que se passa no PS: quanto menor o rendimento, maior é o apoio aos socialistas.

Em termos regionais, o partido de António Costa lidera em todas as frentes. Mas há nuances: nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, a vantagem sobre o PSD é maior do que nas regiões Norte e Sul, em que a diferença é de apenas dois ou três pontos percentuais. É importante salientar, no entanto, que a análise por segmentos deve ser lida com reservas, uma vez que se trata de amostras com um número muito reduzido de inquiridos.

BE terceiro mas a cair

Se PS e PSD estão a subir nas projeções, sucede o contrário com quase todos os outros partidos. O BE continua em terceiro lugar (8,8%) e a CDU em quarto (6,8%), mas ambos perdem cerca de um ponto percentual relativamente à sondagem publicada a 16 de setembro, com o Bloco a ser o mais penalizado.

Aliás, feitas as contas ao valor da "geringonça" no mercado eleitoral, a soma dos três partidos é agora de 56,2%, uma ligeira descida que representa um regresso aos valores de maio deste ano e um afastamento do cenário dos dois terços de "maioria constitucional" no Parlamento.

Ao contrário, o conjunto do bloco da Direita (que inclui, além de PSD e CDS, o Aliança e o Iniciativa Liberal) sobe para os 33,4%, mas ainda longe do que conseguiu nas eleições de 2015 (38,6%).

As boas notícias à Direita são apenas para o PSD. Isto porque o CDS marca agora 5,2%, ou seja, acusa uma descida de quatro décimas. Uma quebra igual ao Aliança de Santana Lopes (que tem agora 1,1%). O Iniciativa Liberal, que chegou a ter 1,3% no barómetro de agosto, está agora com um irrelevante meio ponto percentual.

PAN volta a crescer

Entre os partidos mais pequenos, num único caso há razão para celebrar: o PAN volta a crescer, ainda que apenas algumas décimas, e está agora nos 3,6%. Com um "pormenor" que pode fazer toda a diferença: tem um bom resultado na região de Lisboa, que corresponde, grosso modo, ao maior círculo eleitoral do país.

De resto, o Pessoas Animais Natureza continua claramente ancorado no eleitorado mais jovem. Do outro lado do espelho está o PS, cuja força reside sobretudo no eleitorado mais velho. São os dois partidos em que é mais notória uma "fronteira" etária.

22,4%

O número de indecisos volta a diminuir, quando estamos a duas semanas das eleições. Ainda assim, são mais de um em cada cinco eleitores, margem suficiente para provocar algumas alterações nos próximos dias. A indecisão é maior entre as mulheres (24,4%) do que entre os homens (20,3%). Entre os eleitores mais novos (até aos 44 anos) ronda os 30 pontos percentuais. Entre os mais velhos (de 45 anos em diante) fica abaixo dos 20 pontos.

61,8%

Quase dois terços dos portugueses rejeitam uma maioria absoluta. Quando se pergunta se seria útil para Portugal uma maioria de apenas um partido, apenas 29,8% se manifestam favoráveis. Mesmo entre os eleitores socialistas, a maioria (52,5%) rejeita uma maioria absoluta. Entre os eleitores mais à Direita (PSD e CDS) são 64% os que rejeitam este cenário. No BE são 80% e na CDU são 90,6%.