Legislativas 2019

Rio superou expectativas mas debate com Costa acabou empatado

Rio superou expectativas mas debate com Costa acabou empatado

Único confronto entre líderes do PS e do PSD envolto em guerras de números.

A conclusão do debate entre os dois principais líderes partidários foi dada por Rui Rio antes mesmo do embate se iniciar no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa: "É importante mas não decisivo". E foi o que aconteceu. O presidente do PSD esteve acima das expectativas e, muito ao de leve, conseguiu incomodar António Costa que foi para o debate com um ar defensivo.

O líder do PS deixou as despesas do ataque para Rui Rio e foi-se defendendo com o que o Governo fez nos últimos quatro anos de legislatura, numa estratégia que ainda se está por saber se foi pensada pelo atual primeiro-ministro ou surpreendido pelo presidente do PSD.

O embate caiu para onde Rui Rio se sentiu mais confortável: a economia e as contas públicas, o que tornou o debate confuso e pouco esclarecedor do que os dois partidos pretendem para os próximos quatro anos.

Falta de inspiração

Nenhum deles foi inspirador para o eleitorado. Houve trocas de acusações sobre a economia, o Serviço Nacional da Saúde (SNS), os números da emigração, os professores e os juízes ou as grandes obras públicas. Apesar de António Costa dizer que "com o PSD há todo um manancial de diferenças", o debate demonstrou que houve mais encontros que desencontros. Ambos querem baixar impostos, embora Rui Rio se tenha comprometido mais com a forma de o fazer. "Em 2023 teremos uma margem orçamental de 15 mil milhões de euros" e desse montante "25% serão destinados a reduzir impostos e 25% a aumentar o investimento". Costa respondeu que o que Rui Rio propõe "é um choque fiscal e todos sabemos o que acontece, como no governo de Durão Barroso", em que houve um aumento de impostos.

Mesmo nos investimentos em infraestruturas, os dois líderes concordam na aposta de um novo aeroporto do Montijo, embora o PSD se agarre ao impacto ambiental para se poder travar a obra.

Professores e juízes

Um dos temas mais quentes do debate foi quando Rui Rio abordou a questão da carreira dos professores e a dos juízes, acusando António Costa de ter dois pesos e duas medidas e deu um exemplo: "um filho que é juiz estagiário ganha mais que o pai que chegou ao topo da carreira de professor", considerando inadmissível este Governo dizer aos professores que "não lhes dá nada" e depois dar um aumento salarial aos juízes superior ao de um primeiro-ministro.

António Costa garantiu que Governo foi coerente ao descongelar as carreiras dos professores dentro daquilo que tinha prometido e acusou Rio de não gostar das instituições da Justiça. "É por gostar muito da Justiça e dos magistrados que fico incomodado com o que vejo", respondeu o líder do PSD, dando o exemplo da proposta do PS "de pôr os casos de guarda parental a serem tratados nos Julgados de Paz como se fosse um problema de condomínio" e não nos tribunais. Ao que Costa ripostou que só o seriam se ambas as partes concordassem.

Em matéria de Saúde, Rio disse que o SNS "está pior", ao que Costa contrapôs a reposição de tudo que tinha sido cortado no passado e a promessa de melhorar no futuro.