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Socialistas caem mas o PSD ainda está a 16 pontos

Socialistas caem mas o PSD ainda está a 16 pontos

Depois da estagnação, a queda. O PS continua a liderar, mas está mais longe da maioria absoluta (39,2%), de acordo com a sondagem da Pitagórica.

Os socialistas são as principais vítimas de um aumento acentuado do número de indecisos (28,4%). E o PSD é o principal beneficiário, conseguindo agora uma projeção de 23,3%. Boas notícias para Rui Rio, no dia do único frente a frente televisivo com António Costa.

É a primeira vez, desde que a Pitagórica e o JN começaram a tomar o pulso aos eleitores, em abril, que a tendência se inverte e o fosso entre os dois principais partidos se reduz: chegou a ser de mais de 23 pontos percentuais em agosto e fica-se agora, quando faltam três semanas para as legislativas, pelos 16 pontos. É uma espécie de regresso à casa de partida, ou seja, aos valores registados no período pré-eleições europeias.

Será, ainda, o efeito conjugado de algumas semanas intensas de pré-campanha (com entrevistas em vários órgãos de comunicação, debates televisivos em horário nobre e as rentrées de vários partidos) e de um discurso generalizado, à Esquerda e a Direita, contra a maioria absoluta do PS, que, como diz Alexandre Picoto, da Pitagórica, "parece estar a ter um sucesso parcial".

Socialistas agora indecisos

Parcial porque, acrescenta o mesmo especialista, a quebra do PS não tem equivalência nos ganhos dos restantes partidos, quando se analisa não a projeção mas a evolução dos resultados no voto direto (sem distribuição de indecisos e tratamento da abstenção) entre agosto e setembro. Os socialistas perdem 5,3 pontos percentuais no voto direto (de 32,3% para 27%), mas o PSD ganha apenas 0,3 pontos percentuais (de 16,3% para 16,6%).

A explicação está no aumento acentuado do número de indecisos: mais 8,8 pontos percentuais (de 19,5% em agosto, para 28,4% em setembro), aparentemente, à custa do eleitorado socialista.

Rui Rio é o maior beneficiário (mas não o único) da indecisão dos eleitores. Ao fazer-se a projeção de resultados, com a distribuição proporcional dos indecisos, o PSD consegue mais três pontos percentuais do que na sondagem de agosto (20,4% para 23,3%), o resultado que, em princípio, conta. Ainda assim, se o social-democrata fica mais longe de um resultado humilhante, não é menos certo que a hipótese de vencer as eleições constitui, nesta altura, um cenário irrealista.

O PSD continua demasiado longe do PS, mesmo quando se analisam os resultados por género, faixa etária, escalão de rendimento e região. Estes resultados parcelares devem ser lidos com reserva, uma vez que as amostras têm um número reduzido de eleitores, mas os socialistas estão sempre à frente, com uma única exceção: no Grande Porto lideram os sociais-democratas, com 1,3 pontos percentuais de diferença (23,4% contra 22,1%). No que diz respeito aos escalões etários, o PS mantém uma margem confortável entre os mais velhos (45 anos em diante), os que têm rendimentos mais modestos, e os que habitam em Lisboa.

É entre o eleitorado do género feminino que há maior número de indecisos (31,3%). Mas entre os homens a subida foi maior, entre agosto e setembro: o número de indecisos disparou 10 pontos percentuais para chegar aos 25,2%.