Presidenciais

Candidatos aceleram campanha e críticas ao Governo e a Marcelo

Candidatos aceleram campanha e críticas ao Governo e a Marcelo

Os candidatos presidenciais aceleraram esta quinta-feira as caravanas pelo país e intensificaram as críticas ao Governo, ao Presidente pela resposta à pandemia de covid-19 ou por causa da resposta a dar ao discurso da ultradireita.

Na véspera do confinamento geral no país, para tentar conter a epidemia, que hoje voltou a bater recordes de infeções, com 10.698 casos, um dos temas de campanha foi esse mesmo e as medidas que vão acompanhar o confinamento, anunciadas na quarta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa.

Todos, à exceção do Presidente e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, que defendeu não haver alternativas ao confinamento, tiveram críticas a fazer, mais ou menos contundentes.

O primeiro a fazê-lo, logo de manhã, depois de cortar o cabelo no Porto, foi Tiago Mayan Gonçalves, ao alertar para as dificuldades no encerramento de atividades devido ao novo confinamento geral, como vai acontecer com o seu cabeleireiro, Tozé Veloso.

"Quando continuamente o Governo exige que a fatura do confinamento seja paga pelos mesmos de sempre, por estes empresários e pelos cidadãos, algo está mal. E o Governo tem que, de uma vez por todas, assumir as responsabilidades das suas decisões e dar resposta a estes empresários", disse aos jornalistas.

Quase à mesma hora, em Lisboa, por onde passou a campanha da candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, Marisa Matias considerou inaceitável que, já sendo conhecidas as novas medidas de confinamento, não se saiba quais os apoios para que as pessoas possam cumprir esta fase "com dignidade".

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E se até concorda que as escolas continuem abertas nas próximas semanas, ao contrário do que aconteceu em março e abril de 2020, criticou o "grande plano de rastreio" da covid-19 aos profissionais da educação.

Tal como a generalidade dos candidatos, disse que vai manter a campanha para mostrar "quem está a segurar o país" durante a pandemia, prometendo cumprir todas as recomendações das autoridades de saúde.

Pelo Norte, em Viana do Castelo, andou João Ferreira, candidato apoiado pelo PCP e PEV, que criticou as medidas anunciadas pelo executivo, e afirmou que algumas atividades culturais poderiam funcionar durante o novo confinamento desde que fossem garantidas as condições de combate à propagação da pandemia, tal como acontece com as cerimónias religiosas.

Num dia dedicado ao interior, que começou em Cinfães, distrito de Viseu, a socialista Ana Gomes comentou as medidas do confinamento - "duras mas indispensáveis" - mas apontou críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, que acusou de ser um obstáculo à descentralização e a por desvalorizar a campanha eleitoral.

Horas depois de ter ouvido os insultos de André Ventura, do Chega, aos restantes candidatos - comparou a ex-diplomata a uma "contrabandista" -, Ana Gomes afirmou que se trata de "uma demonstração de que a ultradireita não é só mais uma corrente de opinião, como pretende o Presidente da República".

"É um perigo para a democracia, e a democracia não pode ser tolerante com os intolerantes", disse aos jornalistas a candidata apoiada pelo PAN e Livre, defendendo, relativamente a Marcelo, que "um democrata não pode pretender que isto é só uma corrente cujas ideias têm de ser combatidas".

Um dia após ter lançado insultos contra o líder do PCP, Jerónimo de Sousa ("avô bêbado que a gente tem em casa"), e aos seus adversários Marcelo Rebelo de Sousa ("uma espécie de fantasma"), João Ferreira (tem "ar de operário beto de Cascais"), Marisa Matias (tem "ar de que todos lhe devem dinheiro e ninguém lhe pagou"), Ventura afirmou-se hoje como "o político mais ameaçado e perseguido desde o 25 de Abril".

A exceção à regra nas críticas ao Governo foi mesmo Marcelo Rebelo de Sousa, apoiado pelo PSD e CDS, que deu uma entrevista à Antena 1. Garantiu que terá com qualquer outro primeiro-ministro a mesma relação que tem com António Costa e considera que esta coabitação foi uma escolha dos portugueses.

O mais duro com o primeiro-ministro foi mesmo o ex-militante do PS e candidato Vitorino Silva, a quem acusou de "brincar com quem trabalha" devido à forma como anunciou o novo confinamento: "Fiquei muito triste quando muita gente que tinha restaurantes, influenciada pela comunicação social a dizer que o país ia fechar (hoje), não compraram nada para ter hoje nas mesas."

As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

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