Diretas

Candidatos garantem um lugar na história do PSD só por irem a jogo

Candidatos garantem um lugar na história do PSD só por irem a jogo

Seja qual for o resultado deste sábado, Rui Rio e Luís Montenegro já garantiram os dois um lugar na história do PSD, apenas porque foram a jogo. Ou seja, por terem conseguido ser os primeiros candidatos à liderança do partido a disputar uma segunda volta nas eleições diretas.

No final de uma campanha em que valeu quase tudo, Rui Rio considera que vai a votos "substancialmente à frente" e Montenegro garante recusar vitórias na "secretaria".

Ao fim de uma semana de intensa luta pelos apoiantes de Miguel Pinto Luz (candidato que obteve 3030 votos, o equivalente a 9,55%) e o voto dos 8522 militantes que se abstiveram no sábado passado, Rui Rio admite que já pouco mais há a fazer. "Já estão dados os argumentos todos de parte a parte. As pessoas já estão cansadas", crê o líder do PSD, que há uma semana, no calor dos resultados eleitorais, insinuou que o adversário teria prometido lugares em troca de votos. Uma acusação que fez ricochete e dominou os ataques vindos de Montenegro.

Se, na primeira volta, Rui Rio foi acusado de usar o carro do partido em ações de campanha, esta semana foi confrontado com suspeitas de que o seu núcleo duro teria "comprado" votos e dúvidas quanto à votação em Freixo de Espada à Cinta, que levaram Montenegro a exigir um inquérito.

Enquanto isso, corriam páginas patrocinadas nas redes sociais, como "A verdade sobre Rui Rio", seguidas por poucas dezenas de pessoas e suscitando centenas de partilhas de notícias sobre alegadas irregularidades vindas da candidatura do atual líder do PSD.

Montenegro, que enviou esta semana cartas personalizadas aos militantes do PSD, garantiu: "Não quero e não quererei qualquer vitória eleitoral obtida na secretaria". Uma clara tentativa de tirar proveitos do caso de Freixo de Espada à Cinta que levou, ontem, o presidente do Conselho de Jurisdição Nacional (CJN), José Nunes Liberato, a escrever aos presidentes de mesa das assembleias de secção do partido, pedindo o "esforço" de todos e relembrando as regras do regulamento das diretas de hoje.

Atenções no sul do país

Matematicamente, Rui Rio segue em vantagem para as eleições de hoje. Partindo do princípio que tem como certos os 15 546 votos que obteve há uma semana, dispõe de mais 2409 votos (7,6%) do que o seu adversário e uma vitória em 13 distritos, contra os seis de Montenegro (Braga, Leiria, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Lisboa Área Oeste).

Há uma semana, Miguel Pinto Luz saiu vencedor na Área Metropolitana de Lisboa e em Setúbal, distritais cujos líderes apoiam atualmente Luís Montenegro e para onde todas as atenções estarão voltadas hoje, numas eleições tão renhidas que os dois candidatos, que se desdobraram esta semana em derradeiras entrevistas, procuram reverter até os 244 votos nulos e 145 brancos de sábado passado.

Montenegro, que almoçou com apoiantes em Gaia, voltará a estar em Lisboa a acompanhar os resultados, na expectativa de ser o vencedor. Já Rio, que procura ser o segundo líder do PSD a ser reeleito em diretas (só Passos Coelho o conseguiu), reuniu-se com a Ordem dos Médicos, na capital. Mas é no Porto que espera fazer o discurso da consagração.

Rui Rio ainda apelou ao "bom senso" dos dirigentes locais do partido na Madeira, mas as urnas vão estar mesmo encerradas na segunda volta das diretas. Em causa um diferendo quanto ao universo eleitoral, devido ao pagamento das quotas. A sede nacional só aceita 104 militantes com direito a voto. O PSD/Madeira alega que são 2500. E, como a direção nacional não recua, o líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, considera que seria "uma humilhação" para os militantes abrir hoje as sedes para votação.