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Casos de jovens assassinados em Lisboa e Bragança gera tensão no debate

Casos de jovens assassinados em Lisboa e Bragança gera tensão no debate

O deputado social-democrata Carlos Peixoto referiu-se esta quinta-feira no parlamento aos dois jovens recentemente assassinados, um em Lisboa e outro em Bragança, para criticar o desinvestimento do Governo em segurança, gerando um debate tenso com o PS.

"Foi com estupefação que recebi essas perguntas", reagiu o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, após ter feito um discurso de fundo sobre a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2020 e depois de ter sido interpelado pelos deputados do PSD Carlos Peixoto e Luís Leite Ramos.

Após horas de debate morno no primeiro dos dois dias de discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2020, Carlos Peixoto agitou o hemiciclo (sobretudo as bancadas da esquerda) quando tocou nos casos dos jovens assassinados e falou numa "multiplicação de agressões a profissionais de saúde, sem que o PS ou o Governo tenham uma só palavra sobre segurança dos cidadãos e forças de segurança".

"Há ou não programas de defesa pessoal para os profissionais de saúde?", perguntou, recorrendo em seguida à ironia para sustentar que "importa proteger estes profissionais das atrocidades que este Governo lhes cometeu" - uma alusão às "cativações" do ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno.

O deputado social-democrata eleito pela Guarda responsabilizou ainda o executivo pela "carência de 1500 agentes da PSP, que têm esquadras degradadas e sem o equipamento necessário, como coletes antibala", assim como pelo "défice de cinco mil elementos da GNR".

"Este Governo diminuiu o investimento da Polícia Judiciária em 22%", completou Carlos Peixoto, antes de o seu colega de bancada Luís Leite Ramos ter equiparado a proposta do Governo de Orçamento do Estado "a uma peça literária de ficção".

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"Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção", afirmou, numa resposta à tese do Governo e do PS de que aumentará este ano os investimentos para a educação.

Na resposta, José Luís Carneiro lamentou o tom destas intervenções e disse concluir que o presidente do PSD, Rui Rio, "além de não falar com os dirigentes das suas distritais, também não fala com os seus deputados".

"Rui Rio apresentou razões para aprovar este Orçamento se reduzisse o défice, a dívida, aumentasse o investimento público e se fosse reformista. O PSD, por isso, só tinha de aprovar este Orçamento, mas o seu presidente colocou o interesse partidário à frente do interesse nacional", contra-atacou o "número dois" da direção dos socialistas.

Em resposta aos dois deputados do PSD, José Luís Carneiro defendeu que o Orçamento do próximo ano prevê uma subida do investimento na área da segurança na ordem dos 100 milhões de euros.

"Haverá também mais investimento para o Ensino Superior e para a escola pública", acrescentou.

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