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Cavaco Silva: "Os portugueses não são uma estatística abstracta"

Cavaco Silva: "Os portugueses não são uma estatística abstracta"

O presidente da República assumiu, na mensagem dirigida esta quarta-feira à Assembleia da República, um tom duro e crítico, considerando "imperativo" a melhoraria da qualidade das políticas públicas. Cavaco Silva lembrou que Portugal está submetido a uma "tenaz orçamental e financeira" e apontou "princípios de orientação estratégica", como o combate ao desemprego.

A mensagem de Cavaco Silva, muito aplaudida pelas bancadas do PSD e do CDS-PP, foi feita num tom inesperadamente duro para o Governo. "A resolução dos problemas exige plena consciencialização do momento em que estamos" , alertou.

"A geração mais jovem deve ser vista como parte da solução", alertou o presidente da República. "Foi a pensar nos jovens que resolvi recandidatar-me à presidente da República. Jovens, ajudem o vosso país", disse Cavaco Silva, certamente que tendo em conta o momento de insatisfação dos jovens portugueses que convocaram uma manifestação de protesto para o próximo dia 12.

A Presidência da República disponilizou já a intervenção completa de Cavaco Silva.

"Ao iniciar funções como PR, quero começar o meu mandato, saudando o povo português, de forma muito calorosa", disse, antes de traçar o retrato financeiro do país. "A resolução dos problemas exige plena consciencialização do momento em que estamos" , alertou.

"Aumentar a eficiência e a transparência do Estado e reduzir a despesa pública são prioridades", considerou o presidente da República.

"Portugal está submetido a uma tenaz orçamental e financeira: o orçamento apertando do lado da procura e o crédito do lado da oferta", disse Cavaco Silva.

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"Não podemos correr o risco de perseguir políticas públicas baseadas no instinto ou no voluntarismo", afirmou o presidente da República.

Antes, ao Governo e senhor primeiro-ministro, o presidente da República reiterou o compromisso de cooperação de há cinco anos. "Serei rigorosamente imparcial no tratamento das diversas forças políticas, mantendo a mesma distância em relação ao Governo e oposição", acrescentou.

O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, saudou, antes, Cavaco Silva, desejando "um bom mandato" ao presidente de todos os portugueses.

"A Assembleia da República continuará a manter uma cooperação institucional com o Presidente da República, correcta e sem hesitações", assegurou Jaime Gama, que dirige duras palavras à actuação da União Europeia na actual crise económica e financeira.

O presidente da Assembleia da República relembrou que o destino do país está, antes demais, nas mãos dos governantes portugueses. "Nada deve fazer enjeitar as nossas responsabilidades. Só com o nosso honesto trabalho de casa, conseguiremos a estabilidade financeira", disse Jaime Gama.

"Romper a indiferença política ou mesmo o cepticismo pontual em tempos de crise, exige a partilha equitativa de sacrifícios pela sociedade", disse Jaime Gama. "Só com união de esforços contaremos com um resultado", acrescentou.

A cerimónia da tomada de posse de Aníbal Cavaco Silva para um segundo mandato na Presidência da República começou pouco antes das 14.50 horas, com a abertura da sessão pelo presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

Cavaco Silva foi recebido por Jaime Gama, frente à Assembleia da República, cerca das 15.10 horas. Depois das honras militares, o Presidente da República, acompanhado por Jaime Gama, dirige-se para o interior da Assembleia da República.

"Será o mandato mais exigente de todos os presidentes da República, até hoje. Mas o actual presidente saberá estar a altura", disse o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, à chegada a S. Bento, onde cerca de 450 convidados aguardam o início da cerimónia de tomada de posse.

"Espero que o Presidente da República seja um ponto de coesão entre todos", acrescentou Passos Coelho aos jornalistas.

Eleito a 23 de Janeiro, com 52,95% dos votos, Aníbal Cavaco Silva prometeu nessa noite uma "magistratura actuante".

Há cinco anos, a estabilidade política, a relação com o Governo e os cinco desafios cruciais para abrir caminho para o progresso foram os temas 'fortes' do discurso de tomada de posse.

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