Polémica

As reações ao vídeo em "off" de António Costa a chamar "cobardes" a médicos

As reações ao vídeo em "off" de António Costa a chamar "cobardes" a médicos

Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS, atacou este domingo o primeiro-ministro por causa de um vídeo que está a circular nas redes sociais onde é ouvido a chamar "cobardes" aos médicos por causa do surto de Reguengos de Monsaraz.

"Ontem [sábado], depois de ler a entrevista de António Costa ao Expresso, alertei que ela espelhava um perigoso sintoma de má convivência democrática com os médicos. Hoje [domingo], através de um vídeo que circula nas redes, confirma-se que, infelizmente, a minha interpretação estava certa", escreve Francisco Rodrigues dos Santos numa nota escrita enviada à imprensa, depois de ontem já ter acusado o primeiro-ministro de querer "aplicar a lei da rolha à Ordem dos Médicos", após as suas declarações na entrevista ao Expresso.

"Vi, ouvi e não queria acreditar. Os elogios, os aplausos, os 'prémios' de finais de Liga dos Campeões para os profissionais de saúde, não foram mais que fachada mediática. Hoje, nas suas camisolas, Bayern e PSG dizem-lhes "danke" e "merci". António Costa, chama-os de 'cobardes'", diz, aludindo a um pequeno vídeo que está a circular nas redes sociais onde Costa é ouvido a criticar os médicos. Alegadamente, o vídeo terá sido feito durante um momento de conversa informal do primeiro-ministro com os jornalistas do Expresso que o entrevistaram para a edição de sábado e acabou a ser partilhado nas redes sociais.

Francisco Rodrigues dos Santos aproveita esta publicação para voltar a criticar o primeiro-ministro e a forma como tem reagido ao relatório muito crítico que a Ordem dos Médicos fez em relação ao desempenho das autoridades públicas no surto do lar de Reguengos de Monsaraz que vitimou 18 pessoas, pondo em causa a autoridade da Ordem para fazer esse tipo de auditoria.

Médicos, o bode expiatório?

"Enquanto totalizaram 20% dos infetados em Portugal e encabeçaram a luta ao covid dia e noite, correndo risco de vida e permitindo a António Costa alavancar a popularidade à custa do seu esforço, os médicos eram os heróis do país. Quando começaram a apontar claros indícios de falhas do Estado no tratamento de doentes, nomeadamente os mais idosos, passaram a ser "cobardes", a não ter competência para elaborar relatórios e a serem criticados por terem opinião nas televisões", diz o líder do CDS.

Rodrigues dos Santos critica António Costa por não ter retirado "uma única consequência política pelos erros cometidos no Lar de Reguengos, manteve a sua Ministra em funções e não pediu desculpas às famílias que perderam entes queridos. Mas já encontrou um bode expiatório: os médicos. O socialismo faz cada vez pior à saúde da nossa democracia", conclui o líder do CDS.

Francisco Rodrigues dos Santos defende que o "primeiro-ministro deve retratar-se publicamente e retirar imediatamente o ataque feroz que desferiu à classe profissional que os portugueses mais contam para vencer esta pandemia".

Já André Ventura, do Chega, pediu a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa. No Twitter, diz que "António Costa ultrapassou, desta vez, todos os limites. Dificilmente tem condições para se manter no cargo. Marcelo tem de intervir ou será o Presidente mais cúmplice da história democrática".

Já num comunicado assinado pela direção nacional do Chega, fala-se de "absoluta falta de decência, tolerância democrática e desrespeito por uma das classes que mais tem sido afetada no âmbito da pandemia de covid-19".

"Estas declarações, agora tornadas públicas, ainda que de forma inadvertida, são gravíssimas e demonstram um estado de desorientação considerável e uma agressividade incompreensível para com todos os médicos e com o setor da saúde em geral", diz o Chega, acrescentando que no atual contexto "dificilmente o primeiro-ministro tem condições para continuar no cargo" e assumir a liderança da luta contra a covid-19".

Jornal repudia divulgação do vídeo

O vídeo, de sete segundos, que circula nas redes sociais, mostra António Costa numa conversa privada com os jornalistas do Expresso alegadamente chamando "cobardes" a médicos envolvidos no caso do surto de covid-19 em Reguengos de Monsaraz.

O Expresso já repudiou, numa nota da Direção, a divulgação desse vídeo. "Os sete segundos do vídeo ilegal descontextualizam quer a entrevista, quer a conversa que o primeiro-ministro teve com o Expresso", refere a nota, acrescentando que o jornal "desencadeará, de imediato, os procedimentos internos e externos para apurar o que aconteceu e os responsáveis pelo sucedido".

O jornal explica que o que foi divulgado nas redes sociais foi "uma gravação amadora de um ecrã de computador, que reproduz uma recolha de imagens de uma conversa off the record, privada, do primeiro-ministro com jornalistas".

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