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CDS e IL não participam num Governo do PSD apoiado pelo Chega

CDS e IL não participam num Governo do PSD apoiado pelo Chega

Os líderes do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, e da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim de Figueiredo, avisaram esta quarta-feira que não ajudarão o PSD a formar um Governo que tenha apoio do Chega. O debate entre ambos, na RTP3, foi ainda marcado pelo desafio a Costa para que esclareça se ajudará Rui Rio para um novo Executivo, tendo sido acusado por Cotrim de Figueiredo de "fuga descarada" ao dizer que vai embora se perder as eleições.

Num debate marcado por uma agressiva troca de acusações, e em que Francisco Rodrigues dos Santos procurou insistentemente colar a IL ao Bloco de Esquerda, dizendo que "são iguais", os dois líderes estiveram em acordo na hora de rejeitar uma solução governativa que inclua o partido de André Ventura.

"Acordos com o Chega não", respondeu Cotrim de Figueiredo quando questionado sobre qual é a linha vermelha do seu partido em matéria de entendimentos após as eleições legislativas de 30 deste mês. Recusou assim contribuir para um entendimento desta natureza, seja "dentro ou fora do Governo". E se isso levar a Esquerda ao poder? "O ónus recairá no Chega", respondeu o líder da IL, notando que não se trata de "preconceito" mas de excluir "partidos com visão não liberal da sociedade".

Perante a mesma questão, Francisco Rodrigues dos Santos também deixou claro que o CDS não integrará um Executivo em que o Chega esteja presente. O CDS deixou igualmente claro que não apoia soluções de bloco central e Cotrim de Figueiredo dirigiu mesmo um desafio direto ao secretário-geral socialista para esclarecer o seu posicionamento.

O líder da Iniciativa Liberal nota que "ninguém pergunta ou exige respostas ao PS sobre o que fará se o PSD precisar do seu apoio para viabilizar um Governo". A propósito, criticou a "fuga descarada" de Costa por dizer que "vai embora" e alguém que "feche a porta". O que o líder socialista deveria fazer, a seu ver, era "dizer a todos os eleitores o que vai fazer se não ganhar" e se o PSD precisar, por exemplo, da sua abstenção.

O debate começou mais centrado num ataque mútuo. O CDS acusou a IL de não de preocupar com as pessoas e "olhar exclusivamente" para os mercados. "São iguais à Esquerda, exceto na economia", defendeu, ao mesmo tempo, dando o exemplo das questões da eutanásia, das drogas leves e da liberalização da prostituição, entre outras matérias.

Cotrim de Figueiredo criticou, por sua vez, o discurso "a preto e branco" do líder do CDS, "o líder partidário mais novo, mas com a cabeça mais velha". E acusou, entre muitas outras críticas, o líder centrista de "recusar qualquer forma de descentralização ou de regionalização", embora se esclarecer a sua posição sobre esta última.

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Após trocarem acusações a propósito das privatizações e nacionalizações, e de Francisco Rodrigues dos Santos acusar a IL de "copiar muitas bandeiras do CDS, como o cheque-ensino", os dois líderes pronunciaram-se sobre a proposta socialista de aumento do Salário Mínimo Nacional para 900 euros. A IL diz não ser razoável sem primeiro aumentar os salários médios com base num novo modelo económico. O CDS remeteu essa decisão para a Concertação Social.

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