Partilha de dados

CDS fala em "terrorismo político" e BE exige conhecer todos os casos divulgados

CDS fala em "terrorismo político" e BE exige conhecer todos os casos divulgados

O presidente do CDS-PP sustentou esta quinta-feira que a partilha de dados de três ativistas anti-Putin residentes em Portugal entre a Câmara de Lisboa e as autoridades russas "representa um ato de terrorismo político e subserviência".

"A denúncia de manifestantes a Moscovo por Fernando Medina representa um ato de terrorismo político e de subserviência, entregando a cabeça de três pessoas a um Governo que viola os direitos humanos e que mata opositores", destacou o líder do CDS-PP.

Numa nota enviada à Lusa, Francisco Rodrigues dos Santos frisou que o CDS-PP "está ao lado das três vítimas".

E acrescentou que "deve ser apresentada queixa à PGR, por cumplicidade com a Rússia e para apuramento das responsabilidades criminais".

Para o líder centrista, "um pedido de desculpa não protege a vida dos denunciados nem afasta um crime".

"Os tiques autoritários do PS querem transformar Lisboa em Moscovo e a Liberdade em servidão", salientou.

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Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que, "ou Medina se afasta, ou o povo que ama a liberdade tem de removê-lo com o voto".

Na sequência deste caso, o candidato do PSD à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, pediu já a demissão do presidente da autarquia, Fernando Medina, numa posição que tem estado a ser difundida nas redes sociais e na imprensa diária, depois de o Expresso ter noticiado que a CML tinha enviado para a Rússia dados de ativistas russos a residir em Portugal.

A coordenadora Bloco de Esquerda, por sua vez, exigiu conhecer todos os casos em que a Câmara de Lisboa, assim como outras autarquias do país, forneceram dados pessoais de promotores de manifestações a países estrangeiros ou a empresas.

Catarina Martins falava aos jornalistas no Chiado, junto ao memorial dedicado a Alcindo Monteiro, que há 26 anos, no Dia de Portugal, foi assassinado por um grupo de neonazis.

Questionada sobre as explicações dadas pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, em relação ao caso do fornecimento de dados de manifestantes anti-Putin à embaixada russa em Portugal, a coordenadora do Bloco de Esquerda frisou que "o que aconteceu não podia ter acontecido".

"Pelo que foi dito, esse procedimento foi entretanto alterado, mas há ainda muitas perguntas que precisam de resposta e que esperamos que sejam esclarecidas nos próximos dias. Se este procedimento era comum, quer dizer que aconteceu também em outras circunstâncias? Pensemos nas manifestações contra os presos políticos em Angola. A embaixada angolana também recebeu os nomes de quem marcou esses protestos?", perguntou Catarina Martins.

No entanto, Catarina Martins demarcou-se do pedido de demissão de Fernando Medina feito pelo candidato do PSD à presidência da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

"Nós vamos ter eleições [autárquicas]. Portanto, talvez pedir a demissão a poucos meses das eleições seja mais um número de campanha eleitoral do que uma afirmação com consequência. O que aconteceu é grave - e quero falar da gravidade daquilo que aconteceu", salientou, tendo ao seu lado a candidata do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa, Beatriz Gomes Dias, a deputada Isabel Pires e o vereador Manuel Grilo.

A coordenadora do Bloco de Esquerda referiu depois que os cidadãos que viram os seus dados pessoais serem partilhados com a Rússia "agora têm medo por si e pelas suas famílias em relação a eventuais retaliações".

"Mas, pergunto: Aconteceu o mesmo quando houve protestos em frente à embaixada de Israel sobre a Palestina? Esta é uma ação recorrente? Quantas vezes aconteceu? E é só a autarquia de Lisboa que tem este procedimento? Outras autarquias também dão os nomes de quem organiza manifestações?", questionou.

Para Catarina Martins, o país poderá estar perante "uma série de casos graves numa democracia".

Ventura quer que MP investigue se houve pressões da Rússia

O presidente do Chega, André Ventura, disse, esta quinta-feira, em Santarém, que o Ministério Público (MP) deve investigar se existiram pressões para que tenham sido facultados dados pessoais de ativistas russos a Moscovo e pediu que Fernando Medina tire "consequências políticas desta situação".

Ventura afirmou que não basta ao presidente da Câmara de Lisboa, o socialista Fernando Medina, dizer que "cometeu um erro burocrático" e "continuar com o seu mandato exatamente nos mesmos termos".

Para o líder do Chega, o MP deve investigar "se houve aqui pressões internas ou externas em relação a esta matéria" e perceber "porque é que Lisboa facultou estes dados à Rússia", país que, disse, "tem uma grande influência em alguns Estados da União Europeia".

Por outro lado, disse, é preciso perceber se Fernando Medina "vai ou não tirar consequências políticas desta situação". "É isso que vamos exigir", afirmou.

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