Congresso do PSD

CDS-PP conta com Rui Rio para travar eutanásia

CDS-PP conta com Rui Rio para travar eutanásia

O líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, defendeu a criação de "uma plataforma de entendimento" com o PSD, para enfrentarem juntos combates políticos como o da eutanásia, que irá ser discutida no Parlamento já no dia 20 de fevereiro. E quer sentar-se à mesa, já para a semana a pensar nas autárquicas.

Conquistar o máximo de câmaras ao Partido Socialista nas próximas eleições autárquicas e constituir uma alternativa de Governo foram outras duas prioridades apontadas.

"Temos naturalmente a porta sempre aberta para o PSD e é o partido com o qual privilegiaremos as nossas negociações com vista à construção de uma maioria alternativa não socialista em Portugal", declarou Francisco Rodrigues dos Santos, após o discurso de Rio no encerramento do 38º congresso do PSD este domingo em Viana do Castelo.

"Muito brevemente, a muito curto prazo, convidamos naturalmente o PSD a juntar-se ao CDS no combate pela vida, com direito absoluto consagrado na nossa Constituição, contra a eutanásia, para que o Estado tenha um papel humanista", declarou. Recorde-se que Rui Rio é favorável à despenalização da eutanásia, ao contrário do CDS, e que no congresso do PSD foi aprovada por maioria uma moção temática que insta o PSD a envolver-se na dinamização de um referendo a este assunto em Portugal.

O recém-eleito líder do CDS disse ser "importante que haja uma aliança alargada a pensar já nas próximas eleições autárquicas, de modo a que PSD e CDS consigam ganhar o maior o número de câmaras ao PS", e anunciou que já para a semana tenciona sentar-se à mesa com Rui Rio para iniciar "uma ronda de negociações". Francisco Rodrigues dos Santos mostrou-se, de resto, alinhado com o discurso reformista de Rui

IVA da luz: CDS confirma contacto

"Vi noticiado em alguns órgãos de comunicação social que o CDS tinha estendido a mão ao Governo. Quero ser absolutamente claro nesta matéria: o CDS não faz favores ao Governo socialista. De resto, nós mantivemos a nossa posição absolutamente coerente do início ao final do processo", disse aos jornalistas no final do congresso, confirmando que foi contactado pelo Governo.

Segundo Francisco Rodrigues dos Santos, a medida - apresentada por vários partidos, entre os quais o PSD - "tornou-se absolutamente irresponsável". "As compensações não permitiriam acomodar, do ponto de vista orçamental, a descida desse mesmo IVA e quem pagaria, mais cedo ou mais tarde, seriam os portugueses", com aumentos de impostos.

O líder do CDS insistiu que a medida era irresponsável e confirmou o contacto com o Governo. "Quando o Governo, à semelhança do que fez com os outros partidos, contactou o CDS, nós dissemos tão só qual seria a posição do partido. Não fizemos depender a posição do CDS de nenhum tipo de contrapartida", nem outra qualquer medida a ser aprovada em sede parlamentar, garantiu.

"Não dançamos o tango com o Bloco de Esquerda nem com o PCP. Nós naturalmente apelamos a este diálogo com o nosso parceiro tradicional, o PSD. Quisemos estendê-lo aos partidos do arco da governabilidade, incluindo também o PS, para que fosse possível descer o IVA na eletricidade. Esse apelo lançado pelo CDS foi como se viu ignorado", disse.

"Espero que a partir deste congresso a escada esteja lançada e que possamos estabelecer canais de comunicação para que soluções que sejam úteis aos portugueses possam ser tomadas em convergência por partidos que têm esta comunhão de ideias e de valores, que possam ser traduzidos em boas políticas para o país", disse.

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