Crise política

CDS quer solução de centro-direita para evitar "absoluta ingovernabilidade"

CDS quer solução de centro-direita para evitar "absoluta ingovernabilidade"

O líder parlamentar do CDS, Telmo Correia, defendeu, esta quarta-feira, que, depois do chumbo do Orçamento do Estado, a próxima solução governamental ou "vem do centro-direita" ou o país ficará numa situação de "absoluta ingovernabilidade".

"Eu acho que António Costa já não tem solução. A solução ou vem do centro-direita ou o país ficará numa situação a que a geringonça nos condenou: de absoluta ingovernabilidade", afirmou aos jornalistas o líder parlamentar do CDS nos Passos Perdidos, na Assembleia da República, pouco depois de a proposta do Orçamento de Estado para 2022 ter sido chumbada na generalidade.

Segundo Telmo Correia, se o modelo da geringonça "faliu" e "acabou agora", o "responsável é de quem criou o modelo, portanto a responsabilidade é do primeiro-ministro".

O líder da bancada parlamentar do CDS afirmou também que, além de se ter criado "uma crise política", foi também aberto "um novo ciclo político", considerando que o PCP, ao votar contra o Orçamento do Estado, "reagiu claramente na ressaca do que foram as eleições autárquicas", onde perdeu cinco câmaras municipais relativamente a 2017.

Nesse sentido, Telmo Correia considerou que "alguns sinais das autárquicas" podem ser "transpostos para este novo ciclo político".

Abordando assim a futura composição da Assembleia da República em caso de eleições legislativas, Telmo Correia considerou "muito difícil" António Costa volte a construir uma maioria parlamentar com BE e PCP.

"Portanto, a alternativa só pode vir da direita e do centro-direita", reiterou.

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Questionado sobre se as eleições diretas tanto para líder do PSD como do CDS podem vir a gerar alguma turbulência na preparação para as eventuais eleições, Telmo Correia salientou que acha que "não", afirmando que, pelo contrário, "a discussão vai ser positiva".

"Normalmente, da discussão, nasce a luz, e também vai ser assim para os partidos à direita. Qualquer que seja a luz, não me quero pronunciar sobre isso agora, se é continuidade, se é mudança, não é isso que está em causa", indicou.

Telmo Correia referiu ainda que a "existência de um processo de debate interno, o envolvimento dos militantes, a discussão de iniciativas, de propostas, de moções de estratégia" terão agora de ser feitos pelos partidos de direita.

"Além de discutirem a liderança, terão que discutir qual é o seu programa eleitoral, ou seja, neste momento, mais do que uma moção de estratégia para dois anos de oposição, nós teremos que sair da discussão interna com um programa eleitoral de candidatura para as eleições legislativas", referiu.

Interrogado quantos aos prazos para as eleições que eventualmente preferia, Telmo Correia afirmou não querer insistir sobre esse tema, frisando que, talvez todos preferissem que a "direita e o centro-direita" tivessem mais tempo para se organizarem, mas que a "vida não é feita" de preferências.

"Da parte do CDS, não haverá grande problema, tem o seu processo resolvido no início de novembro, não vamos ter eleições no Natal. (...) Portanto, eu acho que, nestas circunstâncias, é o que tiver de ser, é preciso é que haja uma alternativa", afirmou.

Falando aos jornalistas poucos minutos antes de Telmo Correia, a deputada do CDS Cecília Meireles também referiu que "não faz sentido ir a votos fora sem ir a votos dentro".

"É a minha opinião, não enquanto deputada, mas enquanto militante de base do CDS e enquanto portuguesa. Não vou dizer rigorosamente mais nada", indicou.

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