Biodiversidade

Censos já levaram à identificação de 600 borboletas de 32 espécies

Censos já levaram à identificação de 600 borboletas de 32 espécies

São cerca de uma dezena de voluntários, mas o objetivo é que haja mais a contribuir para os Censos das Borboletas. Desde meados de maio até agora, já identificaram 32 espécies de borboletas, num total de cerca de 600 espécimes observados.

"São números positivos para começar, mas é necessário recolher dados ao longo do tempo para podermos tirar conclusões", explica Eva Monteiro, responsável pelo Tagis - Centro de Conservação das Borboletas em Portugal.

Os Censos fazem parte do Plano Europeu de Monitorização de Borboletas e as suas conclusões vão permitir desenvolver indicadores para definir as políticas de biodiversidade e uso da terra na Europa. A abundância e a diversidade de borboletas ajudam a avaliar o estado de conservação de habitats ou até o impacto das alterações climáticas.

Em Portugal, o projeto é coordenado pelo Tagis, que conta com a colaboração de voluntários espalhados pelo país. "São eles que fazem a contagem regular de borboletas em percursos fixos, chamados transetos, seguindo uma metodologia usada na Europa, há já 16 anos. O objetivo é ter uma rede que cubra o país inteiro", explicou Eva Monteiro.

Neste momento, existem cerca de duas dezenas de percursos ativos ou em preparação. Em Vila Real, por exemplo, Agostinho Fernandes e Darinka Gonzalez, que integram a associação Lepi, vão para o terreno praticamente todas as semanas. Um dos percursos, localizado na aldeia de Ludares, fica numa área rural, rodeada de terrenos agrícolas e um curso de água. "Já participamos em projetos anteriores de levantamentos e já sabemos que o concelho alberga uma enorme diversidade de espécies de lepidópteros", revela Darinka Gonzalez.

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Qualquer pessoa pode participar desde que esteja disponível para fazer uma pequena caminhada. Darinka vai munida com uma rede para apanhar borboletas. Agostinho prefere fotografar para ter "um registo que permita ajudar a distinguir espécies que, à primeira vista, são parecidas". Mas, muitas vezes, basta observar. "Com o tempo, vamos começando a reconhecer todos os lepidópteros. É relativamente fácil de aprender", assegura Agostinho.

Ainda antes da observação, a primeira tarefa consiste em escolher um percurso com uma extensão de cerca de um quilómetro. "A ideia é percorrer esses percursos ao longo do ano, acompanhando a sazonalidade, para registar aquilo que vamos observando", explica Darinka.

Em Viana do Castelo, Soraia Castro explica que a contagem é feita por uma equipa do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental do Município, num percurso localizado no Parque Ecológico Urbano. "Pela sua importância, trata-se de um projeto ao qual pretendemos dar continuidade, estando previsto, futuramente, expandir a outras áreas naturais em Viana do Castelo", sublinha.

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