Hospitais de campanha

Centenas de camas de retaguarda por ativar

Centenas de camas de retaguarda por ativar

Há muitas centenas de camas instaladas em pavilhões municipais, escolas e outras instalações em todo o país, mas só na segunda-feira abriram as primeiras em Ovar e esta terça-feira no Porto.

As soluções criadas pelas autarquias, com o apoio de associações e autoridades de saúde locais e regionais, visam aliviar os hospitais, seja dando resposta a doentes infetados com sintomas ligeiros, seja acolhendo idosos que têm alta, mas cujos lares não têm condições para os receber.

Nem a Direção-Geral da Saúde, nem as administrações regionais de saúde sabem dizer ao certo com quantas camas de retaguarda podem contar. Certo é que, por ora, e com o abrandar de novos casos de Covid-19, ainda não houve necessidade de ativá-las porque os hospitais estão a dar resposta à pandemia. Diferente seria se não tivessem adiado a atividade programada e estivessem a tratar os doentes "não-Covid". "Aí bem que eram precisos os hospitais de campanha e os de retaguarda", afirmou Miguel Guimarães, bastonário dos Médicos. "

Segundo Eduardo Pinheiro, secretário de Estado da Mobilidade, Ambiente e Ação Climática, e responsável pela coordenação da execução do estado de emergência no Norte, o Governo identificou vários espaços de retaguarda na Área Metropolitana do Porto. Sem precisar quantos, o governante disse que "neste momento não há razão para achar que é preciso mais".

No final de uma visita ao hospital de campanha do Pavilhão Rosa Mota, no Porto, o responsável afirmou que todos os dias estão a ser criadas mais condições, mas crê que não serão necessárias todas as respostas. "Quero acreditar que não vamos sequer esgotar as capacidades, mas temos de jogar pelo seguro", realçou.

Não basta ter espaços

Eduardo Pinheiro salientou que não basta ter os espaços, é preciso ter pessoas para trabalhar e coordenar. Sobre as instalações para apoio aos doentes Covid-19, "não faz sentido dispersar, porque não haverá técnicos suficientes para dar resposta a isso. Faz sentido tentar centralizar ao nível das regiões", acrescentou.

Para não dispersar e facilitar a concretização, a Ordem dos Médicos e a Associação Empresarial de Portugal estão a repensar o projeto de instalar na Exponor enfermarias de pressão negativa e que ficou sem resposta do Ministério da Saúde. A ideia é agora instalar junto a um ou dois hospitais da região um módulo com 48 camas em pressão negativa. É de execução mais fácil, simplifica a questão dos recursos humanos e tem a vantagem de poder ficar montado para uma eventual segunda vaga, disse o bastonário ao JN.

Primeiros doentes aliviam pressão do hospital

O hospital de campanha de Ovar entrou em funcionamento na tarde de ontem, com os primeiros três doentes de Covid-19. A nova resposta, montada na Arena Dolce Vita, é "uma extensão" do Hospital Dr. Francisco Zagalo - Ovar, destinada a casos de infeção que não exijam cuidados intensivos. "Destina-se a quem não precise de cuidados intermédios ou intensivos, mas que ainda necessite de internamento, como é o caso dos doentes que estão já na fase final de tratamento", precisou, ao JN, o presidente do Conselho Diretivo do HFZ-Ovar, Luís Miguel Ferreira. Estes doentes vão "aliviar a pressão do Hospital de Ovar e de outras unidades hospitalares, deixando disponíveis camas para tratar doentes que precisam de outro tipo de cuidados médicos". Com 38 camas disponíveis e capacidade para crescer até 64, "esta extensão" ficará sob gestão do Hospital de Ovar, a quem cabe a contratação de pessoal. "Abrimos um procedimento contratual para poder contratar médicos, enfermeiros e assistentes operacionais", explicou Luís Miguel Ferreira, aludindo à possibilidade aberta por um despacho do Governo.

Porto
Além do Rosa Mota, a Autarquia criou um centro de acolhimento de idosos não infetados na Pousada da Juventude - domingo tinha 15 utentes - e no Seminário de Vilar.

Lisboa
O hospital de campanha no Estádio Universitário está pronto, mas ainda sem doentes. Tem 500 camas para infetados com poucos sintomas.

Feira
Em Santa Maria da Feira há 150 camas no Inatel e dois lares adaptados.

Famalicão
Dois pavilhões municipais equipados com 200 camas para receber idosos.

Cerveira
As instalações do Inatel em Vila Nova de Cerveira estão a ser preparadas para receber não infetados.

Leiria
Batalha, Marinha Grande e Caldas da Rainha têm pavilhões com camas e Alcobaça tem um hospital de campanha (35 camas) cedido pelas Forças Armadas.

Algarve
Faro, Portimão, Albufeira e Lagos são alguns concelhos que criaram respostas (camas) em pavilhões de escolas e municipais.