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Centeno não deixará prejudicar Novo Banco por debate "sem sentido"

Centeno não deixará prejudicar Novo Banco por debate "sem sentido"

O ministro das Finanças avisou que não irá deixar que uma instituição bancária de portas abertas como o Novo Banco seja prejudicada por "um debate parlamentar sem qualquer sentido".

Foi apenas na reta final do debate na Assembleia da República dos Programa de Estabilidade e Nacional de reformas que Mário Centeno foi diretamente questionado sobre a recente injeção de dinheiro público de 850 milhões de euros no Novo Banco. E deixou sem resposta perguntas sobre se está demissionário.

"Não permitirei enquanto ministro das Finanças que uma instituição bancária com as portas abertas possa ser prejudicada por um debate parlamentar sem qualquer sentido", disse, acrescentando que não se pode confundir o que foi a resolução do BES com a instituição Novo Banco.

Depois de ser desafiado pelo deputado do PSD Álvaro Almeida a dizer se "era um ministro de faz de conta" e qual seria "o preço a pagar" pela reafirmação da confiança política do primeiro-ministro, Mário Centeno respondeu no mesmo tom.

"Para fazer esse desempenho de faz de conta espero que tenha pago um preço baixo para estar nessa bancada, senão foi enganado", disse, levando Álvaro Almeida a pedir a defesa da honra.

O ministro das Finanças reiterou ainda que "não houve nenhuma injeção de capital no Novo Banco sem auditorias". "Podemos e devemos tomar decisões com o máximo de informação disponível, mas não há ausência de controlo", assegurou.

Quebra económica não deve afetar "estabilidade institucional"

Mário Centeno disse no parlamento que a quebra económica associada à covid-19 não deve afetar "a estabilidade social e institucional".

"Não devemos, não podemos permitir que este interregno [económico] afete as instituições, a estabilidade económica e financeira e bancária de longo prazo, nem muito menos a estabilidade social e institucional", disse o ministro de Estado e das Finanças.

"Nos últimos quatro anos Portugal demonstrou uma solidez das suas instituições sem paralelo no contexto europeu", e considerou que "a estabilidade, previsibilidade e transparência das decisões de política económica são essenciais para a confiança e o investimento".

"Voltaremos, em conjunto, a conquistar o futuro para que de forma tão árdua trabalhámos nos últimos quatro anos, com verdade e com a responsabilidade de apresentar todas as consequências das propostas que fazemos", prosseguiu Mário Centeno, reconhecendo ainda que devido à pandemia de covid-19 o Programa de Estabilidade "não pretende responder a desequilíbrios macroeconómicos ou a défices excessivos".