Despenalização

Cerca de 200 pessoas no Porto manifestam-se contra a eutanásia

Cerca de 200 pessoas no Porto manifestam-se contra a eutanásia

Cerca de duas centenas de pessoas, de várias cidades do país, juntaram-se esta tarde de sábado na Praça D. João I, no Porto, numa manifestação contra a despenalização da eutanásia. Querem travar a aprovação da legislação na Assembleia da República no próximo dia 20.

"Queremos um debate sério e obrigar o Estado a cumprir a sua obrigação de assegurar cuidados paliativos a todos os que necessitam. Neste momento só 20% têm acesso", afirmou Jorge Pires, organizador da manifestação.

A concentração no Porto foi organizada nas redes sociais durante esta semana, explicou o responsável, que há cerca de dois anos liderou um grupo de pais que denunciou as más condições da ala pediátrica do Hospital de S. João.

"Temos aqui pessoas de Lisboa, Coimbra, Braga, Famalicão, Póvoa de Varzim, Aveiro", enumerou Jorge Pires, considerando, contudo, que "a sociedade civil precisa de se mobilizar mais".

Apesar de pertencer ao partido político "Chega", Jorge Pires deixou claro que a manifestação é apartidária.

Junto à praça uma faixa com letras garrafais "Portugal Cuida - Cuidados Paliativos Sim - Portugal não mata", assinala o propósito da concentração. Alguns dos participantes empunham cartazes com mensagens de apelo à vida que terminam com "Eutanásia Não!".

"Quem ama ou se sente amado nunca pede para morrer! Eutanásia Não!", lê-se num dos cartazes.

António Sarmento, médico do Centro Hospitalar e Universitário S. João, um dos oradores convidados fez um apelo ao debate sério e ao esclarecimento de conceitos.

"A eutanásia é quando um médico induz a morte, de forma ativa e direta, a pedido do doente que se encontra num sofrimento que considera insuportável. Não há dúvidas quanto a isto, mas está a ser confundido com obstinação terapêutica que é manter o doente vivo com suporte artificial e é considerado má prática médica", referiu o diretor do Serviço de Infeciosas do Hospital de São João.

No próximo dia 20, a Assembleia da República vai discutir e votar na generalidade cinco projetos de lei sobre a morte medicamente assistida apresentados pelo BE, PS, PAN e PEV, que determinam as condições em que é despenalizada a eutanásia.

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