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César insiste em taxar "empresas que lucram, fabulosamente" com inflação

César insiste em taxar "empresas que lucram, fabulosamente" com inflação

O presidente do PS, Carlos César, defende que, embora a prioridade do Governo sejam as pessoas, "não se brinca com o Orçamento", e insiste na necessidade de convocar as empresas que mais beneficiam com o aumento da inflação.

"Não é justo que possam existir empresas que lucram, fabulosamente, com a desgraça e a insatisfação dos outros", apontou o presidente do PS, Carlos César, quarta-feira, na Academia Socialista, uma iniciativa de formação e reflexão política para jovens, que arrancou na Batalha e termina no domingo em Leiria.

O dirigente socialista falava sobre o pacote de medidas anunciado esta semana pelo Governo, que totalizam 2.400 milhões de euros, face ao aumento da inflação, que considerou serem "respostas ousadas no contexto orçamental português".

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Carlos César volta assim a pressionar o Executivo de António Costa para uma medida que tem sido muito falada, que é a criação de um imposto aos lucros extraordinários das empresas, depois de, em agosto, ter defendido ser "necessário ir mais além" com os "que lucram com a crise inflacionária".

"Não se brinca com o Orçamento, embora a nossa prioridade sejam as pessoas. E a verdade é que teremos, por isso mesmo, de reavaliar em permanência as disfunções e os desequilíbrios que entretanto foram ocorrendo, seja futuramente no caso das pensões, onde não houve truques, mas apenas os maiores aumentos das últimas duas décadas, seja noutros casos, de despesas permanentes das nossas famílias, como é o caso, por exemplo, da fatura de eletricidade", afirmou Carlos César na Batalha.

Carlos César admitiu que, numa crise com esta dimensão, "nunca se consegue, por inteiro, e junto de todas as pessoas e dos agentes económicos, compensar todos esses efeitos".

"Mas o Governo deu, claramente, sinal de procurar as maiores compensações possíveis", frisou, reiterando a necessidade de convocar a "responsabilidade social, a contribuição e a ajuda das empresas que estão mais beneficiadas e que têm beneficiado com este processo inflacionário, porque isso é não só justo, como é necessário".

Para o presidente do PS, é "importante que este sinal seja dado, não só pela arrecadação correspondente, mas pelo sinal político que isso deve representar num tempo de sacrifícios para a maioria esmagadora das empresas e dos portugueses".

"Vendedores de facilidades a salto"

Por outro lado, referiu que esta crise "não pode, nem deve ser palco para os vendedores de facilidades a salto, como é o caso do Bloco de Esquerda e do PCP, como é o caso do PSD de Montenegro, o qual, na verdade, quando estava no Governo e perante a crise de então, decretava o 'aguenta, aguenta'".

"O que eles nos podem ensinar hoje, nós já conhecemos do passado e isso não constitui um ensinamento útil", referiu, apelidando o líder do PSD de caloiro que "ainda não estudou o que se está a passar".

Segundo Carlos César, "ao contrário do PSD, que anunciou primeiro um pacotinho de medidas, que se apressou a somar depois, no final da semana passada, mais algumas para não ficar muito atrás do que foi sabendo o que o Governo iria aprovar", o PS está "a fazer o que é necessário nesta fase e o que é possível fazer".

"E esse mérito não pode, nem deve ser retirado, em nome da verdade, ao Partido Socialista e ao nosso Governo", acrescentou.

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