Belém

Chefe de segurança de Marcelo infetado. Presidente continua em isolamento

Chefe de segurança de Marcelo infetado. Presidente continua em isolamento

O chefe da segurança do presidente da República, com quem Marcelo esteve no domingo, está infetado com covid-19. O chefe de Estado, que obteve dois testes negativos na sequência de um positivo, vai continuar em isolamento.

O agente passou o domingo no Palácio de Belém, juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa, com quem manteve contactos próximos em sítios fechados, contou o presidente da República ao jornal "Público". O teste positivo do chefe da segurança do recandidato a Belém pesou, avança o "Expresso", na mudança de posição das autoridades de Saúde que, depois de terem aconselhado o presidente a ir ao debate de terça-feira à noite na RTP, avisaram-no depois de que não deveria ir. Acabou por fazê-lo, mas por videoconferência, continuando hoje em isolamento.

Na ocasião, Marcelo mostrou-se descontente pelo facto de não ter recebido uma informação concreta sobre se podia ou não ir ao debate. "Eu sinto-me muito irritado porque não me dão, por escrito, uma posição sobre se eu podia ir ao debate ou não. E, portanto, eu não tendo uma posição, esperei, esperei, a primeira posição era que eu podia ir, a segunda era que não, verbalmente. Estou à espera de uma reunião, e, na dúvida, vim para casa, para fazer [o debate] de casa, não ia fazer de Belém. O debate não é com o Presidente da República, é com o candidato. O mínimo é haver uma resposta por escrito" das autoridades sanitárias, defendeu o chefe de Estado em declarações à RTP à chegada à sua residência, em Cascais.

Entretanto, como avança hoje o JN, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) vai avaliar o que esteve na origem do resultado positivo do teste feito ao presidente da República e que entretanto foi contrariado por dois testes negativos feitos com a mesma metodologia (PCR), pelo laboratório nacional de referência para o vírus. Além de uma análise aos procedimentos, o INSA vai tentar recuperar a amostra colhida na Fundação Champalimaud, em Lisboa, para voltar a testá-la. A suspeita de infeção do chefe de Estado e candidato presidencial e a confusão sobre os testes causou alvoroço.

Sobre os testes rápidos, os especialistas são unânimes: é frequente darem negativo em assintomáticos. Mas os resultados contraditórios dos testes PCR levantaram muitas dúvidas. Há várias explicações para o que aconteceu e ontem à noite não estava descartada a hipótese de Marcelo estar infetado, mas numa fase inicial com uma carga viral muito baixa.

Cenários plausíveis

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Henrique Veiga-Fernandes, investigador em Imunologia da Fundação Champalimaud, salientou o rigor e o controlo de qualidade a que são sujeitos os milhares de testes realizados na instituição, que faz parte da rede nacional de laboratórios de diagnóstico da covid-19.

O especialista apontou ao JN "os dois cenários mais plausíveis" para o que aconteceu: uma questão técnica, que poderá estar relacionada com uma ligeira contaminação da amostra num dos vários passos antes de ser testada (recolha, armazenamento ou procedimentos em laboratório) ou com os chamados falsos positivos que, apesar de "extraordinariamente raros" nos testes PCR, podem acontecer; ou questões biológicas, que têm a ver com o momento em que é feito o teste - "numa fase muito inicial da doença a carga viral é tão baixa que num espaço de tempo muito curto pode dar um resultado negativo depois de um positivo", explica. Tal também pode acontecer na fase final da infeção, mas é pouco provável no caso de Marcelo porque é testado com muita frequência e o vírus já teria sido detetado. Para confirmar a hipótese de uma baixa carga viral, Henrique Veiga-Fernandes defende que o presidente da República deve ser testado mais uma vez nos próximos dias.

Raquel Guiomar salienta que ainda não há conclusões, mas refere que as hipóteses mais comuns neste tipo de situação são cargas virais muito baixas (no início ou final da infeção) e problemas com a qualidade da amostra, incluindo a sua contaminação. A especialista nota que, se o enquadramento clínico o justificar, o presidente pode voltar a ser testado.

Germano de Sousa, ex-bastonário dos médicos e presidente do grupo de laboratórios com o seu nome, confia nos resultados do INSA e está seguro de que o presidente não tem covid-19.

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