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Chega, corrupção e caso Rui Pinto agitam debate entre Marcelo e Ana Gomes

Chega, corrupção e caso Rui Pinto agitam debate entre Marcelo e Ana Gomes

A legitimação de um Governo com o apoio do Chega na Região Autónoma dos Açores, a amizade entre Marcelo Rebelo de Sousa e Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, e o caso Rui Pinto foram, este sábado à noite, os principais pontos de divergência no debate entre Ana Gomes e o atual presidente da República, ambos candidatos às eleições presidenciais do próximo dia 24 de janeiro.

No debate na RTP entre aquele que as sondagens apontam como o vencedor das Presidenciais e a sua mais direta adversária, Ana Gomes acusou Marcelo de ter permitido a "normalização" de uma "força de extrema-direita" e defendeu que a solução nos Açores deveria ter sido dar posse, em primeiro lugar, "ao partido mais votado", o que "poderia permitir outro tipo de alianças". Nas Regionais de outubro, a vitória coube ao PS, mas sem maioria absoluta.

"Como é que um presidente da República recusa uma maioria parlamentar?", contrapôs Marcelo, criticando a opção defendida por Ana Gomes de "proibir" o Chega e assim dar força à sua "vitimização". A diplomata retorquiu que o partido foi "legalizado com assinaturas falsas" e tem um "programa claramente anticonstitucional".

"Por que é que nunca pediu a ilegalização? Foi ao Ministério Público?", questionou o atual presidente da República, num momento de alguma tensão. "Sabe que ao Tribunal Constitucional compete [a ilegalização do partido]", lembrou, por sua vez, a diplomata, sublinhando que esperou que "órgãos da República fizessem o seu trabalho".

Com o debate definitivamente no campo da Justiça, Ana Gomes aproveitou a deixa de que é a existência de soluções que fragiliza a extrema-direita para garantir que será proativa no combate a corrupção e tentar associar Marcelo a Salgado, acusado pelo Ministério Público, em julho de 2020, de 65 crimes no âmbito do processo que investigou a queda do BES, em 2014. "O julgamento, sete anos depois, ainda nem começou", frisou a diplomata.

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"Há cinco anos, dizia-se assim: 'ele é amigo [do Dr. Ricardo Salgado], vamos ver se não vai facilitar'. [...] Foi condenado em três processos [de contraordenação] e foi finalmente acusado no processo BES. Não sei se percebe quão ofensivo é aquilo que disse", alegou, na resposta, o chefe de Estado.

Questionado sobre Rui Pinto, criador assumido do site Football Leaks e fonte dos Luanda Leaks atualmente a ser julgado por 89 crimes informáticos e uma tentativa de extorsão, e se os meios justificam os fins, Marcelo não quis comentar, por se tratar de um processo "que está a decorrer na Justiça".

"Este era um daqueles casos em que eu gostaria de ter ouvido o presidente da República", atirou Ana Gomes, frisando que o atual presidente da República "fala sobre tudo". "Quem fala é a senhora embaixadora, como comentadora", respondeu Marcelo.

Este sábado, decorreram ainda debates entre Marisa Matias e Tiago Mayan, na SIC Notícias, e Vitorino Silva e João Ferreira, na RTP3. O sétimo candidato a Belém é André Ventura, líder do Chega.

As eleições presidenciais estão agendadas para 24 de janeiro. Este sábado, Ana Gomes defendeu que, dada a pandemia de covid-19, "foi um erro ter marcado para tão tarde", lamentando que tal possa "contribuir para uma abstenção elevada". O presidente da República, que definiu a data, lembrou que só havia duas possíveis. E assumiu que, dada a atual situação, não há, no futuro, alternativa ao confinamento geral.

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