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Costa anuncia pensões pagas na sexta-feira com retroativos a janeiro

Costa anuncia pensões pagas na sexta-feira com retroativos a janeiro

Os pensionistas vão receber, "já na próxima sexta-feira, até 70 euros em retroativos", anunciou o primeiro-ministro, em resposta aos deputados no debate que decorre esta quarta-feira, no hemiciclo. Antes de dirigida ao Governo, a moção de censura apresentada pelo Chega "é um exercício de oportunidade na competição com outros partidos", defendeu António Costa, esta quarta-feira, na Assembleia da República. O Chega muito "vocifera", disse, faz barulho e procura ter palco mediático, acrescentou, "mas nada propõe e nada resolve".

A moção de censura apresentada pelo Chega está a ser debatida esta quarta-feira, na Assembleia da República.

A intervenção inicial da tarde, para apresentar a moção de censura, coube ao líder do Chega. André Ventura acusou o Governo de falhar "na sua missão" e em "restaurar a dignidade de Portugal". Disse que os ministros de Costa sentados no Parlamento "não souberam dar uma resposta digna" aos problemas do país.

Ventura apontou o dedo ao Executivo por estar num "estado de desorganização", mencionando a crise das urgências no SNS e o que descreveu como o "filme dos últimos dias", referindo-se ao anúncio com falsa partida de Pedro Nuno Santos para a solução do novo aeroporto de Lisboa.

"O primeiro-ministro refugiou-se no estrangeiro", atirou André Ventura, acrescentando que Costa fala "tantas vezes" no estrangeiro sobre política nacional.

Ventura desafiou a "putativa direita", referindo-se ao PSD e à IL, desafiando-os a acompanhar a moção de censura que o seu partido leva ao Parlamento.

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Costa retorquiu, afirmando que a moção "converteu-se numa moção a parte da oposição". Apelidando o Chega de "populista", e estabelecendo uma "distinção essencial" entre o Governo que lidera e o partido de André Ventura, o primeiro-ministro afirmou que os "populista alimentam-se dos problemas, um governo responsável reconhece os problemas e age para os resolver".

Voltando a reconhecer que o anúncio antecipado da solução para o novo aeroporto - pelo ministro das Infraestruturas -, foi um "erro efetivamente grave" mas "efémero", Costa classificou a moção de censura ao seu Governo como um "exercício de oportunidade política".

Escolas podem abrir concursos para horários, anuncia Costa

Em resposta à primeira ronda de perguntas, Costa desferiu golpes à direita, principalmente ao Chega, mas também ao Bloco de Esquerda.

Pedro Filipe Soares, deputado do BE, questionou se Costa seria um "homem de sorte". Porque esta é uma moção "que, na verdade, é de uma oposição a brincar, que quer mais disputar a oposição à direita do que responder aos problemas do país", disse o deputado bloquista.

"Sim, vivemos tempos difíceis", disse o primeiro-ministro, dirigindo-se a Pedro Filipe Soares (BE); porque depois de uma pandemia, depois de "uma crise política irresponsável criada pelo Bloco de Esquerda", e agora com um cenário de guerra, elencou o primeiro-ministro, os tempos são difíceis, sim, concretizou.

"Vamos cumprir as medidas" propostas aos portugueses, garantiu Costa, dando como exemplo o pagamento do aumento extraordinário das pensões, que será pago com efeitos retroativos, disse.

Na Educação, Costa reconheceu que o país tem "um problema sério em matéria de professores" e anunciou a aprovação de um diploma no Conselho de Ministros de quinta-feira com "duas medidas da maior importância".

"Uma fixação à escola de todos os professores que tenham sido contratados para preencher horários que estavam e continuam vagos e, em segundo lugar, permitir à escola abrir concursos para horários completos nos grupos de disciplinas e nos territórios onde se verificou carência, de forma a que, havendo horários completos, sejam mais atrativos", disse.

À Iniciativa Liberal, o primeiro-ministro usou da ironia para agradecer a "formalidade" por João Cotrim de Figueiredo remeter questões ao Governo, quando na verdade queria dirigir-se ao Chega. "Lamento, eu cumpro as minhas funções, mas entre as minhas funções não está a de mediar o conflito entre Chega e IL", atirou Costa.

Classificando os problemas de fluxo e tráfego no aeroporto como questões "à escala global", Costa deixou uma recomendação ao líder da IL para que se atualize, disse. Porque desde que está ativo o plano de contingência, nas últimas semanas, que os problemas nas entradas no aeroporto "têm vindo a diminuir", continuou Costa.

"Sabe bem que quando há um aeroporto paralisado em Paris, há um efeito em cadeia noutros aeroportos, e é isso que estamos a assistir", concluiu António Costa.

Dirigindo-se a André Ventura, Costa defendeu que as pessoas não precisam de um "altifalante" para os seus problemas, precisam que "nós [deputados] contribuamos para resolver os problemas. E o senhor deputado fala fala fala mas nem uma propostazinha apresenta", atirou o primeiro-ministro.

PSD sem dúvidas: "O nosso adversário é o PS"

Chegada a altura das intervenções, o PSD quebrou silêncio no debate desta tarde. Na voz de Paulo Rios, o partido social-democrata dedicou o seu tempo em golpes que foram alternando entre o Chega e o Governo; demonstrou não ter dúvidas sobre quem enfrenta - "o nosso adversário é o PS", disse o deputado -, e procurou deixar claro qual o seu papel na política nacional - "o PSD é o maior partido da oposição, sabemos o que somos e sabemos o que não somos", atirou.

"A nossa ambição não é liderar a oposição, é liderar a governação", disse, dirigindo-se ao partido de extrema-direita, e "há um mar que nos separar", acrescentou

Segundo o PSD, o "fosso" entre Portugal e outros países da Europa tem aumentado porque este Governo - "que merece censura", atirou Paulo Rios -, é um Governo que "não governa".

Na saúde, "por onde começar", questionou Paulo Rios. Os encerramentos no SNS, os problemas nas urgências, as cirurgias, a falta de médicos e as famílias sem médico de família, elencou o deputado, "o governo estuda, adia, mas nem aos bombeiros paga", disse.

Após ter abordado o assunto do preço dos combustíveis, acusando o governo de indiferença ao "sufoco" das famílias, e ter criticado a falta de professores na educação e o investimento na TAP, Paulo Rios vaticinou: "o governo não governa", e, ainda, dificulta o papel da oposição por ter de "fiscalizar" um governo sem ação, disse.

Sobre o anúncio da solução para o novo aeroporto de Lisboa, que resultou num pedido de desculpas de Pedro Nuno Santos e a revogação do diploma, o PSD acusou o governo de se ter transformado no "recreio do PS".

"Se [o primeiro-ministro] sabia do que se preparava, Portugal é um circo e os palhaços não somos nós", disse Paulo Rios.

Também não faltaram os recados à direita, diga-se Chega, com o PSD recusar ser o "campeão das moções de censura" ou assumir "atitudes de forcados" em debates parlamentares.

"O Governo merece censura, como censura merece o Chega com esta iniciativa", concluiu o deputado.

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