Política

"Chicão" de novo debaixo de fogo no CDS-PP

"Chicão" de novo debaixo de fogo no CDS-PP

O líder do CDS-PP está, de novo, debaixo de fogo interno. Francisco Rodrigues dos Santos recebeu, esta sexta-feira, avisos da sua antecessora, Assunção Cristas. E, no Conselho Nacional, ouviu alertas de que o partido pode estar "a morrer" e foi acusado de "covardia".

Três meses depois de Adolfo Mesquita Nunes ter ameaçado a sua liderança, Francisco Rodrigues dos Santos está, de novo, debaixo de fogo cruzado. Em causa, a falta de um rumo para o CDS-PP e a forma como estão a ser feitas as coligações autárquicas.

Na primeira entrevista após ter abandonado a liderança dos centristas em novembro de 2019, Assunção Cristas avisou o seu sucessor que é preciso "dar corda aos sapatos".

Para a ex-presidente do CDS-PP, é preciso mostrar que a Direita democrática e moderada continua a ser uma alternativa ao poder, até porque já "deu provas", apesar de ter ficado "manchada por tempos de austeridade e dificuldade".

"É preciso esperar. Mas convém não cruzar os braços. Convém que essa direita moderada, democrática e social dê corda aos sapatos", exortou, esta sexta-feira, em entrevista à Antena 1, no programa "Geometria Variável".

De resto, alertas que Francisco Rodrigues dos Santos já tinha ouvido no conturbado Conselho Nacional do CDS-PP desta semana. "O partido desistiu. Há um único rumo, que é o do acerto de contas virado para dentro do partido. O CDS-PP não se mostra como alternativa. Só vejo reações em comunicados. Mas qual é a posição do partido sobre matérias relevantes", questiona Hélder Amaral.

No Conselho Nacional, o ex-deputado avisou que "o partido corre o risco de estar na mais iminente inutilidade". "O partido senão está a morrer, está ligado às máquinas", acrescentou Hélder Amaral, ao JN, criticando a forma como estão a ser feitas as coligações autárquicas, em particular em concelhos como Coimbra, Seia e Marco de Canaveses, onde o acordo com o PSD é contrário às pretensões das concelhias centristas.

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Aliás, o motivo pelo qual o eurodeputado Nuno Melo abandonou a reunião do Conselho Nacional duas horas antes de ter terminado, recusando-se a votar em bloco as 73 coligações, que acabaram aprovadas.

"Colocaram todas as coligações no mesmo grupo, impedindo que se votasse contra as coligações que estão a ser feitas contra a vontade das concelhias do partido. É uma forma pouco democrática de gerir o processo autárquico. Recuso-me a participar em simulacros autárquicos", justificou Nuno Melo, ao JN, criticando o presidente da Mesa do Conselho Nacional, Filipe Anacoreta Correia, que considera ser "muito incompetente".

"Perdi total confiança no presidente do partido e no presidente da Mesa do Conselho Nacional, que é o mais próximo que existe de um ditador", concorda Hélder Amaral, acusando Filipe Anacoreta Correia de "cortar a voz" aos conselheiros críticos.

Segundo o ex-deputado, Francisco Rodrigues dos Santos comprovou ter sido "um erro". "Como é que um presidente de um partido que não é capaz de falar verdade, de controlar a sua Direção, de cumprir as regras ou os estatutos, quer ser governo do país?", questiona.

Mais, Francisco Rodrigues dos Santos, ao concorrer à Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, revelou "nem sequer ter dimensão para ser candidato a Lisboa", acrescenta Hélder Amaral, que critica as políticas de coligações também pelo facto de não virem a revelar o peso do CDS-PP, na noite eleitoral. "Estranho este sinal de fraqueza ou até de covardia política em que o partido se esconde debaixo da saia do CDS-PP", ataca.

Hélder Amaral considera, contudo, que o CDS-PP ainda vai a tempo de mudar o seu rumo. Por isso, deixa um pedido aos históricos centristas: "Apelo aos senadores do partido para que ponham ordem na casa! Não sei se o CDS-PP vai sobreviver".

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