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Ciência elogia "inestimável contributo" de Mariano Gago

Ciência elogia "inestimável contributo" de Mariano Gago

O meio académico e científico reconhece "o inestimável contributo para a ciência, tecnologia e a cultura científica em Portugal" de Mariano Gago, "político amigo da Ciência" e o ministro que mais fez por esta área do saber, em 12 anos acumulados no cargo.

A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lamentou, com "profundo pesar", a morte do antigo ministro Mariano Gago, destacando o seu "inestimável contributo para a ciência, tecnologia e a cultura científica em Portugal".

A FCT refere, ainda, numa curta mensagem, que se "associa à comunidade científica na prestação de uma sentida homenagem" ao cientista, ao antigo ministro da Ciência e ao ex-presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, precursora da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O físico Carlos Fiolhais destacou Mariano Gago como "o político e amigo da ciência", que tornou o setor conhecido e reconhecido em Portugal e no estrangeiro.

"Comunicou a ciência de modo a sociedade mudar. Foi ele que pôs a ciência na governação", sustentou à Lusa o docente, assinalando que "há um Portugal antes e depois" do antigo ministro.

"Antes, a ciência era pouca, pouco conhecida e reconhecida. Depois dele, há mais ciência, que é conhecida e reconhecida, tanto no país como no mundo", afirmou.

O ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior José Mariano Gago morreu, esta sexta-feira, em casa, em Lisboa, aos 66 anos, vítima de morte súbita, depois de quase dois anos de luta contra o cancro, disse à Lusa a sua secretária.

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"Choramos a perda de um amigo da ciência, o que significa um amigo do desenvolvimento, da cultura", lamentou Carlos Fiolhais, professor catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, defendendo que o ex-ministro partilhava "o sonho" de "deixar um país diferente, um país melhor".

A Federação Nacional de Educação (FNE) lamentou a morte de Mariano Gago, afirmando que "foi com enorme pesar" que tomou conhecimento da morte de Mariano Gago. "Enquanto governante assumiu um conceito estratégico relativo ao desenvolvimento da Ciência em Portugal e foi durante o seu percurso, como ministro, que a ciência mais se desenvolveu. Se é certo que a ciência se faz através dos investigadores é de qualquer forma relevante a intervenção conceptual e normativa assumida pelo professor Mariano Gago", afirma-se no documento.

Recordando o interlocutor "interessado e rigoroso" nas negociações com os sindicatos, a FNE lembra que foi com Mariano Gago que foi "possível obter importantes compromissos, nomeadamente, o acordo relativo aos Estatutos de Carreira do Ensino Superior e do Ensino Politécnico".

Mariano Gago foi ministro da Ciência e da Tecnologia, de 1995 a 2002, dos XIII e XIV Governos Constitucionais, liderados por António Guterres, e ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em novos governos do Partido Socialista - nos XVII e XVIII governos, de 2005 a 2011 -, desta vez com José Sócrates como primeiro-ministro.

Licenciou-se, em 1971, em engenharia eletrotécnica, no Instituto Superior Técnico, onde foi professor catedrático.

Doutorou-se em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, em 1976, foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, entre 1986 e 1989, e dirigiu o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, em Lisboa.

O corpo de Mariano Gago está em câmara ardente, a partir das 21.30, na Basílica da Estrela, em Lisboa, de onde, no sábado, às 12 horas, sai o funeral para o cemitério de Pechão, Olhão.

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