Covid-19

Opinião: Cinco medidas para prevenir a extensão da pandemia

Opinião: Cinco medidas para prevenir a extensão da pandemia

Caros Concidadãos e Concidadãs,

Infelizmente, embora nos últimos dias se tenham vindo a tomar medidas cada vez mais restritivas, o estado de alerta e, sobretudo, o conhecimento dos portugueses sobre o modo de se precaverem desta pandemia de Covid-19 terão ainda de aumentar muito e já nos próximos dias, se quisermos evitar uma verdadeira catástrofe nos nossos serviços de saúde.

Na verdade, muita informação tem vindo a circular nos média tradicionais e nas redes sociais mas, e muito infelizmente, nem sempre no mesmo sentido e não raras vezes até de caráter contraditório, o que não tem ajudado os portugueses a saber o que fazer.

Na verdade, se conseguimos perceber a justa preocupação das autoridades de saúde de não entrarmos em pânico, já não conseguimos aceitar o facto de terem tardado a ser valorizadas medidas potencialmente eficazes, como o isolamento social ou o simples uso de máscaras, até por quem mais tem a responsabilidade e a autoridade de informar devidamente os portugueses.

Na verdade, bastaria estar atento aos exemplos bem-sucedidos dados pelas autoridades sanitárias e pela população da República Popular da China, e de Macau em particular, Japão ou Singapura, locais em que a epidemia tem vindo a ficar cada vez mais sob controlo.

E, no entanto, apesar de terem tardado as necessárias medidas mais restritivas e a gestão da informação à população portuguesa não ter sido até agora a melhor, creio que ainda estaremos a tempo, sobretudo se agirmos com muita rapidez e em força, de conter os piores danos na população portuguesa, em termos de mortalidade.

Mas, para isso, teremos TODOS e desde JÁ, todos nós, sem exceções, de passar a tomar TODAS as medidas preventivas que estejam ao nosso alcance.

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Assim, e suportado nas principais recomendações que foram dadas às populações dos países que tiveram já mais sucesso neste combate, são 5 as principais medidas com que todos poderemos contribuir para limitar a extensão desta pandemia no nosso país:

1. CONTACTOS SOCIAIS - sempre que possível, abster-se de contactos sociais, seja na frequência de centros comerciais ou outros locais públicos! No entanto, usando mais agora os veículos digitais de comunicação social, como telemóveis ou teclados de computador, não esquecer também de os limpar regularmente, pelo menos uma vez ao dia, com um pano humedecido com uma solução desinfetante.

2. MÃOS - lavar as mãos sempre que tiver contactos públicos. E, pelo menos, 4 a 6 vezes ao dia, antes de cada refeição ou depois de ter manuseado materiais potencialmente infetados, usando uma solução alcoólica ou apenas água e sabão que são igualmente muito eficazes!

3. COMIDA - não ingerir alimentos crus, pois não sabe quem os manuseou antes.

4. PROTEÇÃO INDIVIDUAL - sempre que possível, usar máscara em ocasiões de maior risco, tal como quando não puder evitar estar em aglomerados públicos. Se não conseguir adquirir uma, por falta de recursos financeiros próprios ou por rotura de stocks no mercado (lembre-se que as máscaras deverão ter sempre o seu uso prioritário nos hospitais e nos centros de saúde), tente improvisar uma. O importante será proteger a sua boca, nariz e olhos, prevenindo o contacto acidental com mãos ou gotículas infetadas. É óbvio que uma máscara improvisada não terá a mesma qualidade ou eficácia que uma recomendada nas farmácias, mas também não prejudica ninguém e, sobretudo, será um gesto simbólico e uma mensagem de reconhecimento da necessidade de proteção de nós e dos outros. Finalmente, deverá sublinhar-se que o uso de máscaras é importante, pelo risco de transmissão, nos doentes infetados que estejam sintomáticos e, pelo risco de contágio, nos profissionais de saúde que os tratam ou no caso dos mais vulneráveis de entre nós, como os mais idosos, os imunodeprimidos por tratamentos oncológicos ou todos aqueles que padeçam já de outras doenças crónicas debilitantes, como a diabetes e as insuficiências cardíaca e renal.

5. PROTEÇÃO DO SNS - e, sobretudo, se tiver já sintomas, nomeadamente febre e tosse, não procurar de imediato os hospitais, a não ser que tenha já evidentes dificuldades respiratórias. Pelo contrário, deverão permanecer antes em vossas casas, tentando contactar, logo que for possível, com a linha Saúde 24 e seguir então as suas instruções. No entanto, se a linha não estiver disponível, poderão ir tentando contactar com o seu médico assistente, com um enfermeiro amigo ou qualquer outro profissional de saúde que conheça e o possa ir aconselhando.

Na verdade, o mais importante, será mesmo não andar a "passear" a sua possível infeção entre comunidades de amigos, familiares ou desconhecidos, pois, ao fazê-lo poderá estar - embora certamente de forma não intencional, mas sempre irresponsável - a contribuir para a progressão silenciosa, mas mortal, desta epidemia! Só iremos conseguir vencer este enorme desafio, se formos suficientemente informados, cumpridores e solidários entre todos!

Ajudemos pois hoje, agora mesmo, nas nossas comunidades, para podermos vir a ser ajudados, amanhã, no nosso SNS!

A bem de todos nós e, sobretudo, a bem dos nossos profissionais de saúde! E, já agora, a bem também do nosso SNS que, se falhar ou, pior ainda, se vier a colapsar, muitos outros doentes, para além dos infetados por Covid, serão igualmente afetados pela falta de resposta do sistema às suas necessidades específicas!

Porto, 15 de março de 2020

Doutor em Epidemiologia e Saúde Pública, Universidade de Dundee, Reino Unido - Coordenador do CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde; membro do Conselho Nacional das Escolas Médicas Portuguesas; diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

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