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Circulação de máquinas de via da IP está suspensa

Circulação de máquinas de via da IP está suspensa

Regulador dos transportes exige mais medidas de segurança à gestora das linhas de comboio em Portugal depois do acidente com um Alfa Pendular em Soure.

Está suspensa a circulação das máquinas de via ao serviço da IP - Infraestruturas de Portugal. O IMT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes, através da ANSF - Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária, exige que a gestora das linhas de comboio em Portugal adote mais medidas de segurança para evitar a repetição de acidentes como o da passada sexta-feira em Soure. O abalroamento de uma máquina de via da IP, que passou um sinal vermelho e entrou na via-férrea, por um Alfa Pendular, a 190 km/h, vitimou os dois trabalhadores da gestora de infraestruturas.

"Até que o sistema de proteção automática seja implementado, a ANSF exigiu à IP que sejam adotadas medidas adicionais e complementares mitigadoras de risco que permitam a circulação destes veículos não equipados com Convel. Até à implementação destas medidas adicionais e complementares mitigadoras do risco, a circulação destes veículos encontra-se suspensa", refere o comunicado emitido pelo IMT esta quarta-feira.

A instrução do regulador dos transportes contraria a intenção da IP. Na segunda-feira, a gestora de infraestruturas tinha adiantado que iria manter em circulação as suas 50 máquinas de via sem sistema de controlo de velocidade. Até que esse equipamento seja instalado, a aposta na formação dos trabalhadores que conduzem os veículos de manutenção das linhas seria a principal estratégia da empresa.

"As máquinas vão sair com as pessoas alerta para este risco, que não é possível eliminar", adiantou na segunda-feira o vice-presidente da IP, Carlos Fernandes. A decisão foi comunicada mesmo depois de, em 2018, os peritos do gabinete de investigação GPIAAF terem alertado que o risco de ultrapassagem indevida de sinal "é 20 vezes superior" numa máquina da IP do que nos comboios dos operadores ferroviários portugueses. O alerta foi deixado depois de ter havido um total de 15 situações em que um comboio de manutenção de via passou o sinal vermelho e entrou na linha de comboio indevidamente.

A solução para dar mais segurança aos veículos de manutenção foi encontrada em 22 de julho, após dois anos de contactos com empresas multinacionais na área da sinalização. Desenvolvida pelos portugueses da Critical Software, passa pela instalação de uma caixa controladora (STM) para permitir que o sistema de gestão de tráfego europeu ETCS consiga interpretar os sinais difundidos pelo sistema de controlo de velocidade Convel, que funciona desde 1993 na rede ferroviária nacional.

A instalação daquele sistema em 50 máquinas de via da IP deverá custar quatro milhões de euros. Só que a gestora de infraestruturas ainda não sabe se poderá fazer um ajuste direto ou então terá de recorrer a um concurso público. Quando a contratação estiver concluída, o protótipo demorará um ano a ser desenvolvido; só depois desse período é que as máquinas de via terão este equipamento.

No mesmo comunicado, o IMT refere que tem seis pessoas para as funções de autoridade de segurança ferroviária, aguardando a contratação de mais três elementos desde 29 de novembro de 2019. A entrada destes membros está em fase de avaliação psicológica. Está prevista também a entrada de mais 14 pessoas para o IMT dedicadas à ferrovia, maioritariamente através de concursos externos.

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