ERS

Cirurgião procurou tumor no lado errado da perna

Cirurgião procurou tumor no lado errado da perna

Doente acordou com duas cicatrizes e hospital diz que foi "lapso" do médico. As trocas de identidade e de processos clínicos, as falhas no acesso e as fugas de um doente internado compulsivamente. Conheça as denúncias que chegam à Entidade Reguladora da Saúde.

Após uma consulta, ecografia, ressonância magnética e biópsia, o diagnóstico estava traçado: um tumor na parte exterior da coxa da perna direita. No dia 18 de julho, o doente foi operado no Hospital Lusíadas Lisboa, mas no dia seguinte deparou-se com duas cicatrizes.

"Por volta das 17 horas foi o reclamante informado pelo próprio Dr. NA [cirurgião que o operou] de que se havia enganado e procedido por lapso a uma primeira incisão no lado direito interno da coxa direita, tendo-se apercebido que não era o lado correto, suturou e procedeu à incisão, essa sim correta, para remoção do tumor localizado na parte externa da coxa direita", pode ler-se na denúncia que chegou à Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Confrontado pela reguladora, o hospital considerou que foi "um lapso" do cirurgião, corrigido na mesma hora, "sem qualquer prejuízo clínico ao paciente".

A ERS entende que a atuação daquele hospital privado não foi adequada e emitiu uma instrução para que sejam cumpridos "os procedimentos internos aptos a assegurar a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde prestados, designadamente, os respeitantes à 'cirurgia segura'".

Médico receitou soro mas foi preparado para fazer cirurgia

A troca de identidade de doentes, bem como de processos clínicos, também constam da lista de processos analisados pela ERS no primeiro semestre deste ano.

PUB

No Hospital da Luz, em Lisboa, um doente atendido no Serviço de Atendimento Permanente e encaminhado para um tratamento com soro, viu-se de repente na sala de observações a ser preparado para uma cirurgia.

Já estava sem roupa e de bata quando questionou uma auxiliar sobre o porquê de tudo aquilo e soube que tinha indicação para ir para o bloco operatório.

Só depois de confrontado um enfermeiro, foi detetado o erro.

O hospital admitiu a falha e sublinhou que "dispõe de vários sistemas para prevenção de erros, incluindo de identificação dos doentes, onde existem vários métodos redundantes".

Ainda assim, não se livrou de uma instrução da ERS para que todos os profissionais cumpram os procedimentos de prevenção da ocorrência de erros na identificação de utentes e para que procedesse à realização de uma auditoria a estes procedimentos.

Internado compulsivamente fugiu três vezes

Os exemplos de trocas de processos clínicos não ficam por aqui. No Hospital Cuf Cascais, um médico passou uma receita e um exame em nome de outro doente e no Cediagno - Centro de Diagnóstico Ecográfico, um doente fez uma ecografia à tiroide e recebeu no próprio dia o exame, mas de outra pessoa.

Entre os processos da ERS, divulgados na passada quarta-feira, há ainda o caso de um doente internado compulsivamente pelo tribunal no Centro Psiquiátrico do Hospital Pêro da Covilhã que, admitido no serviço de urgência e no internamento, abandonou por três vezes a unidade no mesmo mês.

O diagnóstico tardio num Acidente Vascular Cerebral (AVC), no Centro Hospitalar da Cova da Beira, a recusa no atendimento a cidadãos estrangeiros em centros de saúde de Cascais e Sintra e problemas no acesso à Procriação Medicamente Assistida são outras reclamações que levaram a reguladora a agir para garantir os direitos dos doentes.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG