Educação

CNE prepara recomendações sobre digitalização nas escolas

CNE prepara recomendações sobre digitalização nas escolas

O Conselho Nacional de Educação (CNE) está a preparar recomendações sobre a digitalização das escolas e, esta terça-feira, promoveu um seminário online para recolher contributos sobre como ajustar e expandir o digital, de forma a promover "aprendizagens com qualidade, segurança equidade e inclusão". No que toca a infraestruturas, em 2019, existia em média um computador por cada cinco crianças nas escolas.

"Com a pandemia, alguns dos problemas diagnosticados mantiveram-se, enquanto outros esmoreceram, agudizaram-se ou sofreram uma enorme aceleração. Foi o caso da digitalização da sociedade e da educação", disse Maria Emília Brederode Santos, presidente do CNE, referindo ainda que, por parte dos docentes, a "primeira tendência foi tentar reproduzir à distância o modelo pedagógico que tinham na sala de aula".

"Houve a necessidade de recorrer ao digital de uma maneira pouco prevista e constatámos algumas carências de equipamentos e o agravamento das desigualdades. Constatámos também uma formação insuficiente de pais, professores e até mesmo de alunos. O mito do nativo digital caiu um bocadinho por terra", afirmou a responsável, revelando ter nomeado uma comissão de relatores para a elaboração de recomendações sobre a digitalização nas escolas.

De acordo com a presidente do CNE, a comissão de relatores nomeada já organizou "várias audições a elementos externos". O seminário desta terça-feira serviu para "levantar questões, problemas, possibilidades". "Não basta atribuir à educação a função de se adaptar à mudança, mas de a orientar e contribuir para construir o futuro", frisou Maria Emília Brederode Santos.

No que toca à infraestrutura digital no sistema educativo nacional, Ana Rodrigues, docente da Universidade de Aveiro, apontou como um dos primeiros desafios a garantia do acesso de todos à internet. No ano passado, cerca de 84% dos agregados familiares tinham ligação à internet em casa. Já no contexto escolar, em 2019, em média, existia um computador por cada cinco crianças. A docente recordou ainda que 77% dos professores das TIC admitiam a falta de computadores eficientes e 76% referiam que a velocidade da internet era insuficiente.

"Temos de mapear [a realidade atual] se queremos intervir", destacou Ana Rodrigues.

No domínio dos recursos digitais que podem ser utilizados na educação, a docente da Universidade de Aveiro sugeriu uma possível rentabilização dos telemóveis. "São muitos os estudantes que têm telemóveis e podemos, em vez de os obrigar a deixar numa caixa à entrada, usar para a exploração didática das aulas", exemplificou.

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