Relatório

Cocaína é a droga de eleição em Lisboa e em Almada, mas cai no Porto

Cocaína é a droga de eleição em Lisboa e em Almada, mas cai no Porto

O consumo de cocaína está a crescer em Almada e mantém-se elevado em Lisboa. Já, no Porto, as análises aos esgotos mostram uma queda abrupta na presença daquela substância. As conclusões constam do relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência de 2019.

O interesse pelo ecstasy parece ter diminuído na capital. Ainda assim, Lisboa continua a ser a 12ª cidade europeia com maior consumo dessa substância, atrás de Amesterdão (Holanda), de Praga (República Checa), de Barcelona (Espanha), de Zurique (Suíça), de Londres (Reino Unido), de Oslo (Noruega) e de Helsínquia (Finlândia). Em 2019, o nível de ecstasy presente nos esgotos lisboetas era de 40,5 miligramas (mg) diários por mil habitantes, menos nove miligramas do que no ano anterior. Almada está em sentido contrário. Não só foi detetada uma maior utilização da cocaína, como também há maior presença de ecstasy. Passou de 10,6 mg diários de ecstasy por mil habitantes para 12,8 mg.

A cocaína é a droga de eleição nas duas cidades portuguesas a sul. Em Lisboa, o consumo mantém-se elevado (454 mg diários por mil habitantes em 2019 e 453 mg em 2018), enquanto em Almada está a crescer (de 136,8 mg em 2018 para 162,5 mg). O dia da semana em que foi detetada maior presença dessa substância nas águas residuais de Lisboa foi ao domingo. Em Almada, o pior registo foi ao sábado. No Porto, a análise aos esgotos encontrou a substância, mas é pouco significativa e está abaixo do nível quantificativo do estudo. Em 2018, o cenário era bem diferente. A cocaína estava bem presente, tendo sido detetados 219,5 mg diários por mil habitantes.

A cocaína tem uma presença crescente na Bélgica, na Holanda, em Espanha e no Reino Unido. O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, que procura conhecer os hábitos do consumo de estupefacientes ilícitos em 68 cidades de 23 países europeus através da análise das águas residuais (pesquisando na urina de cerca de 49 milhões de pessoas), aponta três explicações plausíveis para o aumento da presença de cocaína nos esgotos. A pureza da droga aumentou e há mais gente a consumi-la e em maior quantidade. No relatório do observatório, admite-se que o crescimento da cocaína, sobretudo na Europa Ocidental, possa resultar de uma combinação destas três circunstâncias.​​​​​​ A preferência crescente por essa droga não é de hoje. O consumo de cocaína baixou até 2015 e está a aumentar desde então.

O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência dá conta, também, do aumento generalizado de anfetaminas, de metanfetaminas e de ecstasy na Europa, comparando com 2018, embora não tão explosivo como a cocaína. Em Portugal, além da maior presença de ecstasy nas águas residuais de Almada, as anfetaminas e as metanfetaminas estão em queda.

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