Saúde

Colheitas de sangue registam quebra de 50% durante este mês

Colheitas de sangue registam quebra de 50% durante este mês

As colheitas de sangue sofreram uma diminuição de cerca de 50% desde o início do mês de março, devido ao surto de Covid-19 no país, segundo o Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST).

Apesar da quebra, a Reserva Estratégica Nacional ainda "permite responder às necessidades, uma vez que foi acompanhada de uma redução nos consumos de 35%, devido ao adiamento de intervenções programadas nos hospitais", explica o IPST. O apelo para dar sangue multiplica-se nas redes sociais, a propósito do Dia Nacional do Dador, que se assinalou anteontem.

O diretor da Imunohemoterapia do Hospital de Braga alerta para as necessidades que possam surgir das cirurgias de urgência, de pós-partos ou de politraumas: "Há doentes com Covid-19 com anemia que também vão precisar de transfusões. Precisamos de continuar a dar sangue", sublinha António Marques.

Braga antecipa problemas

Para já, o Hospital de Braga mantém-se autossuficiente e tem as reservas equilibradas para as próximas semanas, mas não se sabe até quando. Há dias em que a quebra nas doações ultrapassa os 50%. "Se as colheitas continuarem assim, vamos ter falta de sangue", assegura António Marques.

A dificuldade em encontrar locais abertos para as dádivas é um dos principais problemas com que se batem agora os promotores das ações móveis de colheita, segundo o presidente da Federação das Associações de Dadores de Sangue.

"A previsão é de que a situação [das reservas] se vá agravar até atingirmos o pico de Covid-19. Até porque há dadores que adoecem e outros têm receio de dar", diz Joaquim Silva. O cenário é "terrível", mas garante continuar a envidar esforços. As unidades móveis de colheitas estão interditas por não permitirem o distanciamento social e não terem sala de isolamento.

feira: um só posto

"Estamos com muitas dificuldades em organizar as colheitas. O nosso calendário era anual e tudo foi alterado", queixa-se Albano Santos, presidente da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Santa Maria da Feira. Esta associação está agora a funcionar só com um posto fixo na cidade da Feira, aberto de quarta a sexta-feira, das 15 às 19 horas. "Este mês não está muito crítico, mas em abril deve ficar pior e as colheitas são precisas", sublinha Albano Santos. Na passada semana, sentiu já uma quebra nos dadores de pelos menos 50%, só naquela sede.

Nos centros de sangue e transplantação de Lisboa, Coimbra e Porto, passaram a estar abertos ao domingo os postos fixos de colheita.

O IPST mantém ativo o nível de alerta amarelo do plano de contingência da reserva nacional, que reforça o envio de SMS de convocatória de dadores ativos e alarga o horário das colheitas para haver agendamento prévio, de forma a "evitar-se o aglomerado de pessoas", explica . O IPST disponibiliza uma declaração no seu site para quem quiser sair para dar sangue durante o estado de emergência.

Alerta vermelho

O nível vermelho do plano de contingência é declarado quando as reservas de sangue não chegarem para mais do que três dias. O período de tempo entre dádivas é reduzido para dois meses.

4 dias é a reserva de sangue do tipo B-, de acordo com o site www.dador.pt, que monitoriza as dádivas diariamente. É a reserva mais baixa.

Mais de 10 dias - Os tipos 0+, B+, AB + e AB - apresentam a situação mais confortável, com reservas de sangue para mais de dez dias.

4 a 7 dias - os tipos O-, A+ e A- apresentam reservas de quatro a sete dias.

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