Incêndios

30 peritos reúnem-se na quarta-feira para analisar grandes fogos

30 peritos reúnem-se na quarta-feira para analisar grandes fogos

José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, revelou este sábado que o painel de 30 especialistas convidado para fazer a análise aos grandes fogos deste ano irá reunir pela primeira vez na próxima quarta-feira. A Comissão de Lições Aprendidas tem até dia 30 de novembro para apresentar os relatórios ao Ministério da Administração Interna e ao Ministério do Ambiente e Ação Climática.

O anúncio foi feito pelo ministro da Administração Interna na manhã deste sábado, em Sacavém, durante a cerimónia que assinalou os 125 anos dos Bombeiros Voluntários de Sacavém. Segundo José Luís Carneiro, o grupo de 30 peritos, que irá funcionar sob a égide da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), tem a sua primeira reunião agendada para quarta-feira, dia 21 de setembro.

O prazo limite para apresentar o relatório final de avaliação aos ministros da Administração Interna e do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, é dia 30 de novembro.

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Ao que o JN apurou, serão 30 os especialistas de diferentes centros de investigação do país que irão integrar este grupo. São essencialmente investigadores, professores e especialistas de instituições de ensino superior e centros de investigação das mais variadas áreas de conhecimento. Estes especialistas vão analisar dados e informações, que terão sido previamente preparados por uma sub-comissão criada para o efeito.

Na comemoração dos 125 anos dos Bombeiros Voluntários de Sacavém, José Luís Carneiro reforçou ainda a sua confiança "no trabalho rigoroso e independente que a comissão irá produzir, enquanto instrumento de política pública para o futuro".

O ministro sublinhou a importância de manter o estado de alerta quanto aos incêndios, apesar da chuva no país dos últimos dias, dado que "o calor pode regressar, mas sobretudo porque os especialistas nacionais e internacionais não podem ser mais claros nos alertas que nos têm feito".

"É um tema que não pode sair da agenda", seja a agenda política, académica ou mediática, acrescentou.

O ministro não poupou elogios à ação dos bombeiros portugueses no combate aos incêndios, mas frisou igualmente o papel que desempenharam durante o período mais crítico da pandemia. "Os milhares de transportes efetuados, o apoio às ações de evacuação de instalações, a proteção de idosos e a operacionalização dos centros de vacinação", foram alguns dos exemplos mencionados.

Aproveitou ainda para falar sobre o discurso de Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante o Estado da União, onde lembrou os "fenómenos meteorológicos extremos e a sua força devastadora" que não podem ser combatidos apenas a nível nacional. Este ano, arderam perto de 800 mil hectares no conjunto de todos os países da União Europeia, mais 30% do que o recorde anterior e mais 179% do que média de área ardida entre 2006 e 2021.

José Luís Carneiro saudou a aquisição de dez aviões anfíbios ligeiros e três novos helicópteros por parte do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, que duplica assim a sua capacidade de combate a incêndios para o ano de 2023.

Recorde-se que, em agosto, o líder da Comissão Nacional para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, Tiago Oliveira, anunciou à Lusa que a investigação dos grandes incêndios de 2022 deverá estar concluída no próximo mês de outubro, mas que o "ponto de situação" vai ser feito já na próxima semana na reunião da CAL.

A comissão que vai investigar os grandes incêndios deste ano, sob a liderança de Tiago Oliveira, conta com a participação da Liga de Bombeiros Portugueses, GNR, Polícia Judiciária, Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

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