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Inquérito

Não há pedidos  de indemnização nas mais de 300 queixas de abusos na Igreja

Não há pedidos  de indemnização nas mais de 300 queixas de abusos na Igreja

Psiquiatra Daniel Sampaio defende que padres deveriam apelar à denúncia nas missas.

As mais de 300 pessoas que denunciaram ter sofrido abusos sexuais por elementos ligados ao clero não manifestaram vontade em receber indemnizações financeiras. As vítimas querem sobretudo desabafar e contar o que lhes aconteceu, revelou o coordenador da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, Pedro Strecht.

"A questão de não termos até agora pedidos de indemnização para nós é muito importante. Não estou a dizer que não possam vir a existir, mas até agora nunca as tivemos e isso tem sido importante porque reforça a credibilidade do testemunho", disse o pedopsiquiatra, salientando que as vítimas estão a contactar a comissão "porque querem contar a sua história". "Querem falar daquilo que passaram durante anos e querem ser reconhecidas no seu sofrimento e dor", afirmou Pedro Strecht aos jornalistas no final de uma conferência-debate em Viseu, dedicada ao tema "Infância e adolescência: trauma, assédio e abuso sexual".

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A sessão decorreu na Universidade Católica e foi pouco concorrida. Na assistência não estiveram mais de duas dezenas de pessoas. Entre elas, o bispo de Viseu, D. António Luciano.
A comissão independente continua a receber denúncias de todo o país e até de emigrantes. São já mais de 300. Dezasseis casos foram remetidos ao Ministério Público. Há mais em análise, que em breve também serão comunicados às autoridades judiciárias.

Divulgação na liturgia

Daniel Sampaio, membro da comissão, defendeu que a Igreja "deveria mostrar mais empenhamento" nesta que "deve ser uma causa nacional". "Uma das coisas que eu acho relativamente simples e que a Igreja poderia fazer era que os padres no final das missas fizessem um apelo ao testemunho", sustentou.

O também psiquiatra considera que os párocos poderiam passar os contactos da comissão com facilidade aos fiéis. "A noção que temos é que há muitas zonas de Portugal onde o nosso apelo não chega e há missas em todo o lado, e isso seria uma forma de empenhamento da Igreja muito importante nesta questão", concluiu.

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