Cimeira Social

Comissão quer renovar "economia social de mercado"

Comissão quer renovar "economia social de mercado"

A Europa deve enveredar pela "economia social de mercado" para sair da crise e adaptar-se à atualidade. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, quer que a "promessa europeia" passe à prática, na Cimeira Social desta sexta-feira e sábado, no Porto. E que todos os 27 aprovem a bazuca até ao final do mês.

Com a expressão "economia social de mercado", Ursula von ler Leyen quer abarcar em simultâneo um mundo "de rosto humano" que protege os cidadãos do risco (como uma enfermeira portuguesa chamada Vitória, que lhe escreveu para dizer que tem trabalho graças a um programa comunitário), ao mesmo tempo que incentiva "a inovação, o crescimento económico e a concorrência leal".

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Esta "singularidade", disse na abertura da Cimeira Social do Porto, traduz-se em metas quantificadas de emprego, formação e pobreza, até 2030. "Só o que é quantificado é cumprido", disse. Às metas que serão agora formalmente aprovadas pela União Europeia, cada país terá que somar os seus próprios objetivos sociais. Será, porém, um compromisso não vinculativo e sem punições previstas para quem não o cumprir.

Em todo o caso, a Cimeira Social do Porto é um passo em frente aos objetivos assumidos em Gotemburgo, em 2017. "Estamos aqui para construir uma Europa social adaptada à nossa época e momento". Incluindo os paradoxos deixados a nu pela pandemia: os trabalhadores essenciais que arriscaram a vida durante os momentos mais graves do contágio e que, porém, não gozam dos "mesmos direitos e segurança social"; ou as mulheres e jovens, os primeiros a perder o trabalho por não terem "contratos adequados".

E, no global, disse, para que as próximas gerações vivam melhor do que as atuais. Hoje, disse a presidente da Comissão Europeia, "as pessoas constatam que sustento dos pais não é um ponto de partida, mas um nível que nunca poderão alcançar".

Para inverter a quebra na qualidade de vida dos europeus, a União prepara o NextGenerationEU, a chamada bazuca que se vai concretizar em Portugal no Plano de Recuperação e Resiliência. Falta agora que todos os 27 aprovem o financiamento. A Alemanha é um dos países que ainda não o fez e a alemã Ursula von der Leyen apelou a todos para que o façam "antes final de mês".

Este será "o maior plano de investimento desde o Plano Marshall, um empréstimo feito pelos Estados Unidos à Europa, para se reconstruir após a Segunda Grande Guerra. Será uma "oportunidade única no século".

A Cimeira Social decorre hoje e amanhã, no Porto, e terminará com uma declaração conjunta dos 27. No texto, vão comprometer-se a, em 2020, ter 78% da população ativa a trabalhar, 60% em ações de formação profissional por ano e menos 15 milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social, incluindo cinco milhões de crianças.

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