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Como as tendências demográficas nos tornam mais vulneráveis às pandemias

Como as tendências demográficas nos tornam mais vulneráveis às pandemias

Os avanços científicos e médicos que observámos ao longo dos anos proporcionaram-nos inúmeras vantagens no diagnóstico, prevenção e tratamento de muitas doenças infecciosas. Simultaneamente, algumas tendências demográficas aumentaram a nossa vulnerabilidade e o risco de disseminação das mesmas.

A facilidade com que nos movemos de um lado para outro

Viajar dentro e fora do país é uma atividade comum. O setor aéreo tinha, na época pré-covid, milhares de milhões de passageiros programados. O enorme volume de movimentos populacionais - de migração e de viagens dentro e entre países - torna a transmissão de doenças muito mais fácil e rápida, e representa um enorme desafio em termos de preparação e resposta.

Vivemos em grandes aglomerados populacionais

Outro desafio é a forma como vivemos. Um fator chave para a fácil transmissão de um vírus numa comunidade é precisamente a forma como estamos organizados em termos urbanos. A densidade populacional aumentou devido ao aumento da população e está sobretudo concentrada em grandes áreas urbanas (mais de metade da população mundial vive nestas áreas). O número de grandes cidades também aumentou. O crescimento e a localização das megacidades têm um impacto substancial quando se consideram crises de saúde pública como a da pandemia da covid-19. A urbanização não planeada pode resultar na criação de áreas sobrelotadas e a elevada densidade populacional facilita a transmissão das doenças.

O envelhecimento populacional torna-nos mais vulneráveis às infeções

Embora todas as pessoas, de todas as idades, possam ficar infetadas com o SARS-CoV-2, a probabilidade de ficar gravemente doente e de morrer é maior nos indivíduos mais velhos. Em parte, porque têm maior risco de ter outras doenças, não transmissíveis, como doença cardiovascular, doença oncológica, diabetes, doenças respiratórias, entre outras.

As tendências demográficas, no que toca à mobilização das populações, à urbanização, à densidade populacional, à longevidade e envelhecimento da população, tornaram-nos mais vulneráveis a pandemias - a que vivemos atualmente e a outras que possam aí vir.

*Pneumologista

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