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Como o "Julho sem plástico" as ajudou a contagiar a mudança

Como o "Julho sem plástico" as ajudou a contagiar a mudança

A história de Joana, que trocou as saquetas de chá da avó por infusões, e outros testemunhos de quem abraçou o desafio, optando por produtos ecológicos e sustentáveis de forma permanente.

A iniciativa "Julho sem plástico", que até ao final do mês apresenta propostas e alternativas a quem queira pôr o plástico de lado, está a mudar os hábitos de consumo de forma permanente. Quem adere, acaba a influenciar família e amigos.

No Barreiro, a educadora de infância Joana Brito, 22 anos, não planeia voltar ao "absurdo" de consumo que era a sua vida. Desde a roupa em excesso às compras de supermercado, onde "até a alface que escolhia era a embalada". Agora, baniu a película de plástico aderente, os talheres e as palhinhas são descartáveis. O dia a dia faz-se com champô sólido em vez de líquido, os produtos de higiene íntima são reutilizáveis e os sacos das compras de pano.

A mudança começou durante a pandemia, quando, ao abrandar o ritmo, pesquisou e refletiu. "Os números eram chocantes", deixa escapar. Este mês, mandou-se "de cabeça para o desafio", alterando ainda mais hábitos e partilhando nas redes sociais produtos alternativos ecológicos.

De permeio, Joana influencia a família e amigos. E até a avó, de 74 anos, já trocou os saquinhos de chá por infusões naturais, para "evitar microplásticos", num gesto cúmplice que as aproxima e faz esquecer o meio século de diferença.

Em Matosinhos, Pamela Campos, 37 anos, está a seguir o desafio com o filho Eduardo, de oito anos. "No ano passado, quando descobri, já ia a meio", lamenta. Este ano preparou de antemão uma lista de temas para assegurar uma publicação diária nas redes sociais.

As mudanças de que vai falando e as alternativas que apresenta têm-lhe valido comentários positivos que lhe dão ainda mais "alento". "Antes, preferia o que era mais fácil, gostava muito de descartáveis, porque achava prático", confessa. Mas agora existe uma "Pamela nova" e é "impensável" voltar atrás. O filho segue as pisadas: os copos de iogurte do lanche na escola regressam a casa na lancheira para serem usados em brincadeiras.

Reduzir aos poucos

"Não é preciso ser perfeito", mas começar e ir "reduzindo aos poucos". Este é o lema de Rita Godinho, 25 anos, que aproveita as redes sociais para ir passando a mensagem e incentivar as pessoas a abandonarem o plástico.

A lisboeta começou a alterar gestos há três anos. Antes, comprava semanalmente seis garrafas de plástico com água. Atualmente, usa um jarro e troca o filtro uma vez por mês. São, contas feitas, menos nove centenas de garrafas. O pai deixou-se convencer e também desistiu das garrafas descartáveis.

O "Julho sem plástico" de Liliana Pereira "dura o ano inteiro". Desde criança que a marketeer de 22 anos, de Ourém, recicla, mas o ano passado, quando descobriu o desafio, decidiu-se a tornar a mudança mais profunda. Não bastava reciclar, era preciso reduzir. Inscreveu-se no site do movimento, descobriu produtos alternativos e criou o projeto Made in Nature, um espaço virtual onde dá a conhecer "soluções para vivermos num mundo mais sustentável".

E se, no início, foi ela quem herdou hábitos da família, como transformar roupas velhas em sacos, agora é pioneira a apresentar novas ideias e produtos a quem a rodeia.

Houve quem estranhasse, por exemplo, quando começou a falar de champô e desodorizante sólidos. "Era maluca." Mas, agora, até no local de trabalho lhe pedem conselhos.

Como começou

O "Julho sem plástico", da fundação Plastic Free, é um movimento iniciado por Rebecca Prince-Ruiz e uma pequena equipa, em 2011, na Austrália. Mobiliza pessoas em todo o Mundo para a redução do plástico, sobretudo descartável. Em 2019, participaram 250 milhões de pessoas de 177 países.

Ilhas no mar

Os oceanos recebem por ano oito milhões de toneladas de plástico, segundo dados de 2018 da ONU. Esta quantidade impressionante levou à criação de ilhas de plástico. Uma expedição encontrou embalagens e um saco no abismo Challenger, a 10 928 metros de profundidade.

Metas de reciclagem

Segundo as metas da Comissão Europeia, até 2025, devem ser reciclados 55% dos resíduos urbanos. A percentagem deve aumentar para 60% até 2030 e para 65% até 2035. Portugal está longe das metas e o aumento de descartáveis, devido à pandemia, deverá tornar a tarefa ainda mais difícil.

Dados contraditórios

Segundo a Zero, que analisou os relatórios da Agência Portuguesa do Ambiente, em 2018 Portugal só reciclou 12% dos resíduos plásticos. Para o Ministério do Ambiente, considerando só as embalagens, a taxa de reciclagem é de 44,3%.

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