Autárquicas

Comunistas contra "candidatos ziguezagueantes" no Porto e "falsa descentralização"

Comunistas contra "candidatos ziguezagueantes" no Porto e "falsa descentralização"

Rui Sá, primeiro candidato à Assembleia Municipal do Porto pela CDU, atacou esta sexta-feira os "candidatos ziguezagueantes entre o apoio e a oposição" a Rui Moreira e que se apresentam "para salvar a face do líder", referindo-se ao social-democrata Vladimiro Feliz, enquanto o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse "não ser sério falar-se de descentralização" quando "se mantêm as autarquias num lugar menor na gestão dos fundos comunitários". Tal como Ilda Figueiredo, reclamou a regionalização.

Na apresentação dos primeiros candidatos da CDU às autárquicas, Rui Sá defendeu que, perante "um desastre anunciado" em tempo de pandemia devido à aposta de Moreira na "monocultura do turismo", o Porto precisa "de autarcas que não se candidatem por meras razões de taticismo partidário, mais preocupados com marcações individuais entre fações e protagonismos pessoais". E não necessita "de candidatos para quem o próximo mandato apenas sirva como aquecimento para as eleições" autárquicas de 2025. Nestes dois casos, referia-se ao PS.

Do mesmo modo, diz que o Porto não precisa "de candidatos ziguezagueantes, entre o apoio e a oposição ao atual presidente da Câmara e que se apresentam, mesmo sendo segunda escolha, para salvar a face do líder". Uma crítica a Vladimiro Feliz, por ter sido "mentor" da candidatura de Moreira há oito anos.

Além disso, em plena Praça D. João I, o antigo vereador do Ambiente avisou que "não haverá movimento de Rui Moreira para lá de Rui Moreira, o que trará instabilidade, na certeza de que muitos, que pretendem manter os cargos para além de 2024, estarão dispostos a mudar-se, com armas e bagagens, para quem esteja disponível para os manter no poder".

Jerónimo contra "manobra para iludir"

Também Jerónimo de Sousa apresentou a CDU como "uma força que se recusa a esconder-se sob falsos projetos ditos independentes que, a coberto de listas de cidadãos eleitores, acolhem na maioria dos casos disfarçadas coligações, arranjos partidários ou instrumento para promover interesses económicos ou ambições pessoais".

No plano nacional, o líder do PCP disse que "não é sério falar de descentralização quando se mantêm também as autarquias num lugar menor na gestão dos fundos comunitários, quando se consolida a centralização como método e critério crucial nessa gestão".

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Jerónimo de Sousa considerou que "o chamado processo de democratização das CCDR que uniu PS e PSD não é mais do que uma manobra para iludir e justificar a ausência de regionalização". E criticou a transferência de encargos que, "em nome de uma falsa descentralização, visa desresponsabilizar o Estado".

Ilda contra "embuste" nas CCDR

A candidata à Câmara, Ilda Figueiredo, defendeu que a situação atual demonstra que é "um erro grave insistir na política de transferência de encargos da Administração Central para as autarquias em áreas tão sensíveis como educação, saúde, proteção social e habitação pública", com "subalternização dos órgãos metropolitanos" e o "embuste" da democratização das CCDR.

"Impõe-se a necessária alteração da lei e o avanço da regionalização para defender o poder local democrático, os serviços públicos de qualidade e os direitos das populações", defendeu, reclamando ainda a reposição das freguesias.

"Seguidismo impede acesso a vacinas"

Outro tema abordado na apresentação foi o da vacinação contra a covid-19 e do levantamento das patentes. Jerónimo de Sousa disse que "Portugal não pode continuar a política de seguidismo das decisões da Comissão Europeia que impede o país de te acesso às vacinas de que necessita, ao não procurar diversificar a compra de outras vacinas já referenciadas pela OMS".

Centros urbanos comparados a Odemira

Sobre Odemira, o líder comunista disse que "a situação atravessa várias regiões do país e vários setores. Nos grandes centros urbanos, temos agora as novas praças de jorna digitais, onde as plataformas e muitas das empresas que promovem o teletrabalho navegam a seu belo-prazer, sem restrições ou limitações a uma exploração brutal" e com "lucro de milhões".

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