ONU

Conferência dos Oceanos traz dezenas de chefes de Estado e Governo a Portugal

Conferência dos Oceanos traz dezenas de chefes de Estado e Governo a Portugal

A Conferência dos Oceanos, que a Organização das Nações Unidas (ONU) realiza em Portugal entre 27 de junho e 1 de julho, vai trazer cerca de duas dezenas de líderes políticos estrangeiros ao país. A cimeira pretende dar mais mediatismo ao tema dos oceanos e fazer com que, até 2030, 30% dos oceanos se tornem áreas protegidas. Contudo, os organizadores alertam que "não será fácil" alcançar a unanimidade dos países para redigir o texto final. A conferência decorrerá em Lisboa, mas também vai estender-se a Matosinhos e Cascais.

O embaixador Alexandre Leitão, vice-presidente da comissão organizadora do evento - realizado em parceria entre os Governos de Portugal e do Quénia -, revelou, esta segunda-feira, que já há "entre 20 e 25" chefes de Estado e de Governo "confirmados ou em vias de confirmar" a sua presença no evento.

O responsável evitou revelar a maioria dos nomes que já garantiram que irão deslocar-se a Portugal no próximo mês, mas anunciou que um dos painéis terá a participação dos primeiros-ministros de Cabo Verde e da Noruega. O presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, fará uma intervenção, bem como o seu homólogo queniano e o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Alexandre Leitão adiantou que a Rússia e a Ucrânia ainda não responderam ao convite, que é dirigido, por defeito, a todos os Estados-membros da ONU. No entanto, afirmou que a China estará representada "a alto nível".

"Lisboa vai ser uma espécie de festa multipolar dos oceanos, com ramificações em Matosinhos e Cascais", referiu o embaixador, numa conferência de imprensa que teve lugar no Oceanário, na capital. "Queremos ajudar Portugal a perceber que o mar é um ativo extraordinário", frisou.

A maioria das sessões vai decorrer na Altice Arena. Contudo, devido à elevada afluência de pedidos de participação - houve, até ao momento, 517 solicitações, sendo que o recinto principal só tem capacidade para acolher, no máximo, 78 eventos à margem da conferência principal -, existirão vários eventos em vários pontos da capital e de Cascais.

Já para Matosinhos ficou reservada uma sessão, que decorrerá ao longo de todo o dia 25, com o nome "Localizar a ação oceânica no papel da governação a nível local e regional". O evento terá lugar junto ao terminal de cruzeiros do Porto de Leixões e reunirá autarcas, cientistas, empresários e responsáveis de ONG, com o objetivo de se debaterem formas de proteger os oceanos à escala local.

PUB

"Se os pescadores, os agentes turísticos ou as administrações dos portos não integram a necessidade de descarbonizar, de despoluir ou de proteger a biodiversidade, é difícil" atuar, argumentou Alexandre Leitão. O embaixador diz ser "absolutamente fundamental" que "as populações costeiras adiram" à defesa dos oceanos.

Ao todo, 938 entidades da sociedade civil já se registaram para participar na conferência. Entre estes números provisórios contam-se 75 fundações e 74 universidades.

Consenso entre países "não será fácil"

Tiago Pitta e Cunha, presidente executivo da Fundação Oceano Azul, considerou que os oceanos estão "no ângulo morto" das temáticas ambientais, o que lhes retira visibilidade.

A título de exemplo lembrou o Acordo de Paris, tratado ambiental da ONU assinado em 2015, que teve o tema dos oceanos "acrescentado à última hora no preâmbulo". O responsável questionou "como é possível" isso ter ocorrido e que essa seja a única vez que o assunto é referido no documento.

Emanuel Gonçalves, responsável científico da fundação, também quer ajudar a "mudar o status quo" e a colocar na agenda uma temática que considera ser ainda "invisível". "Não é fácil admitirmos que, como sociedade, temos um modelo errado de desenvolvimento. Mas a ciência mostra que esse modelo é baseado na destruição da natureza", vincou.

Mas Alexandre Leitão apelou a que não se crie uma "expetativa excessiva" quanto ao texto final da cimeira. "Tem de ser aprovado por unanimidade e, no universo da ONU, isso nunca é fácil. Raramente permite ir muito fundo em algumas reivindicações setoriais", alertou.

Ainda assim, o vice-presidente da comissão organizadora disse acreditar que a Conferência dê um sinal "fortíssimo" para a cimeira do clima COP27, a realizar este ano no Egito.

A declaração a aprovar deverá ser "curta, concisa, orientada para a ação e negociada entre Governos", frisou. Deve ainda apontar soluções para concretizar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável dedicado aos oceanos (ODS14).

A organização da conferência destacou que os oceanos enfrentam perigos como perda de oxigenação, pesca excessiva ou aumento da temperatura. Todas essas realidades estão a torná-los mais ácidos e inóspitos para milhões de seres vivos que neles habitam, tendo também impacto nos seres humanos.

Esta será a segunda edição da Conferência dos Oceanos. Deveria ter ocorrido em 2020, mas foi adiada devido à pandemia. A primeira edição decorreu em Nova Iorque, em 2017.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG