Saúde mental

Confinamento deixou as mulheres portuguesas mais sós, ansiosas e deprimidas

Confinamento deixou as mulheres portuguesas mais sós, ansiosas e deprimidas

O isolamento físico e social dos últimos meses causou mossa na saúde mental das mulheres portuguesas. A conclusão é de um pequeno inquérito online levado a cabo pela revista Women's Health, que contou com a participação de 213 mulheres.

A chegada inesperada de uma pandemia que confinou o mundo, privando-o de afetos e contacto físico, levou a que sentimentos negativos viessem ao de cima, muitas vezes à boleia de estados de ansiedade até agora desconhecidos, depressões que se instalaram e uma sensação de solidão interminável, até mesmo quando se tem companhia.

O isolamento físico e social, a par de toda a incerteza causada pelo vírus SARS-CoV-2 aos mais variados níveis - sanitário, económico, social, laboral e pessoal - acentuou fragilidades na saúde mental, não escolhendo idades, regiões nem classes sociais.

De acordo com o inquérito online levado a cabo pela revista Women's Health junto de 213 mulheres, 77% confessam sentirem-se mais ansiosas agora do que antes da chegada da pandemia e 80,7% dizem que se sentiram deprimidas em algum momento durante os últimos meses.

65,7% revelam que a sua personalidade/forma de estar mudou à boleia das restrições impostas e, quanto à solidão, uma das consequências do isolamento dos últimos meses, o inquérito indica ainda que 63% das mulheres sentem-se mais só agora. A percentagem sobe para 83% no caso de mulheres que vivem sozinhas.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde, o "sentimento de solidão pode interferir com a qualidade de vida das pessoas" e as mulheres são mais vulneráveis, sendo que a sensação de solidão tende a agravar-se com a idade.

"As pessoas, de uma forma geral, viram as suas rotinas alteradas em vários aspetos, o que gerou stress, ansiedade e apreensão acrescidos no desempenho da atividade profissional, o que, por sua vez, se sobrepôs à própria vida familiar, devido à situação do teletrabalho", explica Ruth Ministro, psicóloga na REACH - Saúde Mental, no Porto, uma das três especialistas em Psicologia que comentaram o estudo na edição de maio-junho da revista, que chega às bancas no próximo dia 25 de maio.

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As videochamadas e as redes sociais foram as formas de comunicação mais usadas e, embora a sensação de solidão tenha aumentado, apenas 38% das inquiridas disse ter sentido dificuldade em manter as relações de amizade à distância.

O inquérito produzido pela Women"s Health, através da plataforma "Survey Monkey", revela ainda as atividades de que as mulheres mais sentiram falta durante os confinamentos e como a mudança de rotinas afetou negativamente a qualidade do sono.

O questionário esteve disponível durante os meses de fevereiro e março e todas as respostas foram totalmente anónimas. Participaram 213 mulheres, 70% com idade entre os 25 e os 44 anos.

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