Religião

Confinamento não afasta fiéis da IURD

Confinamento não afasta fiéis da IURD

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) esteve sempre de portas abertas no segundo confinamento, nos últimos dois meses. Fiéis dizem que nada substitui a oração em comunidade.

Quando foi decretado o segundo confinamento, a 15 de janeiro, a IURD fez tudo para manter os cultos e estar próxima dos fiéis. Aumentou o número de celebrações religiosas diárias presenciais, reduziu a lotação máxima a 25%, marcou lugares, começou a medir a temperatura e pedir a desinfeção das mãos à entrada e a limpar com mais regularidade o espaço. Nada nas restrições decretadas pelo Governo, há dois meses, impedia as comemorações, mas católicos, muçulmanos e comunidade israelita, por exemplo, optaram por suspender os cultos presenciais.

São 10.00 horas, sexta-feira, e na IURD, na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, o salão principal da igreja está preparado para celebrar o "culto de libertação", uma espécie de "exoneração do pessimismo, da inveja, e outros males", explica o bispo Filipe Santos ao JN, poucos minutos antes de começar. Lá dentro, no imponente espaço, que em tempos foi auditório do Cinema Império, estão quase 40 fiéis, mas há lugar para 1800. Há uma ou duas pessoas por fila de cadeiras, separadas umas das outras por várias dezenas de lugares.

Numa comemoração de uma hora, ungem-se rosas com água consagrada, levantam-se as mãos e o olhar em direção à cruz e clama-se por "coragem, paz e ânimo", para que "todo o mal, angústias e tristezas, pesos alimentados pelo inferno, saiam do corpo, desse coração, dessa vida". Cada fiel vai expressando-se e gesticulando num ritual muito individual, rezas abafadas pelas preces e vontades gritadas pelo sacerdote, um momento quase catártico. Durante a celebração todos utilizam máscara de proteção individual e, no final, a saída é feita por duas portas para evitar ajuntamentos. Há dispensadores com gel desinfetante em várias partes do edifício e nas casas de banho as toalhas de pano foram trocadas por papel, outra medida para reduzir o risco de contágios por covid-19.

Cá fora, no final do culto, já não há espaço para muitas conversas. "Acaba o culto e os fiéis vão embora. Antes da pandemia ficavam mais à porta a falarem, mas também alertamos para não se criarem aglomerados e respeitaram", explica o bispo Filipe Santos. Uma mudança que não os atrapalha, porque "o mais importante é o momento de união que se vive lá dentro", explica Ana Ferreira, que esteve presente na celebração de sexta-feira.

"A fé tem de ser congregada"

A fiel frequenta a igreja há 30 anos e diz que "era impensável" deixar de vir. "Em muitas igrejas não tem sido possível celebrar, talvez por serem mais pequenas. Aqui felizmente sim, pois em termos de higiene cumprem os requisitos. É muito importante continuar a vir porque a fé tem de ser congregada. Sentimo-nos melhor aqui", partilha. Para Célio Mesquita, em tempos "tão difíceis" de pandemia como aqueles que vivemos, "a fé cura e liberta". Elanes Silva também realça vários aspetos positivos das celebrações presenciais.

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"É importante estar presencialmente, saio mais aliviada e em paz. No primeiro confinamento senti muito a falta destes cultos. A igreja também continua a ter despesas e as nossas ofertas são fundamentais para se manterem nesta fase complicada", explica. Além disso, acrescenta, "sinto-me segura aqui". "Preocupa-me mais o metro e os autocarros, que andam sempre cheios", repara.

A IURD, que se diz evangélica e neopentecostal, esteve encerrada no primeiro confinamento, tendo as celebrações coletivas passado a ser comemoradas nas redes sociais e por estações de rádio nessa altura. Desde 31 de maio do ano passado, quando voltaram a ser permitidas, reiniciaram os cultos "nunca mais os tendo interrompido" e mantiveram a transmissão on-line para quem ainda não se pode deslocar à igreja.

"Durante a pandemia, a IURD não perdeu fiéis, apenas a ausência de alguns por pertencerem a grupos de risco ou por terem tido um familiar infetado. Por conta das circunstâncias do momento, alguns veem-se temporariamente impossibilitados de frequentar os cultos. A diminuição do transporte público e a proibição de circulação entre concelhos também tem dificultado as deslocações e consequentemente a participação presencial", explica em resposta escrita.

A IURD designou ainda um responsável "a cada três a quatro igrejas" para as visitar com frequência e certificar que as normas da Direção Geral de Saúde estão a ser cumpridas.

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