Orçamento do Estado e impostos

"Confio no julgamento dos portugueses", diz Sócrates

"Confio no julgamento dos portugueses", diz Sócrates

O primeiro-ministro, José Sócrates, acusou hoje, terça-feira, o PSD de querer abrir uma crise política para ir para o Governo, motivado pelas sondagens, mas afirmou que confia no julgamento dos portugueses.

Durante o debate do Orçamento do Estado para 2011 na generalidade, no Parlamento, o primeiro-ministro defendeu que Portugal precisa de estabilidade para obter resultados.

José Sócrates manifestou-se confiante que "no final de 2011 Portugal esteja já protegido desta turbulência internacional", fora dos "países mais expostos na Europa em termos de défice e de dívida".

O primeiro-ministro, que falava depois do líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, e do líder parlamentar do PS, Francisco Assis, alegou que a única coisa em que os sociais-democratas pensam "é quando, como causar uma crise política, quando causar instabilidade".

Segundo José Sócrates, os sociais-democratas consideram: "O melhor é aproveitarmos este momento, já que nas sondagens o Governo parece estar com a impopularidade própria das medidas, para fazermos então uma crise política, abrir uma crise política que conduza a uma mudança de Governo".

"Aqueles que pensam que tiram algum ganho eleitoral disso, pensem duas vezes, porque eu acho que aqueles mais maquiavélicos que só pensam em cenários políticos são sempre os mais ingénuos e aqueles que se enganam. Eu estou convencido e confio no julgamento dos portugueses", acrescentou.

O primeiro-ministro e o líder parlamentar do PS criticaram o líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, por ter responsabilizado totalmente o Governo pela actual situação do país.

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Francisco Assis acusou Miguel Macedo de "infantilidade" e "má fé política", enquanto José Sócrates apontou a situação de outros países europeus, sustentando que Portugal sofreu como eles os efeitos da "maior crise mundial dos últimos 80 anos".

O primeiro-ministro contestou a acusação de que o seu anterior Governo tomou em 2009 medidas "a pensar nas eleições" que conduziram a um aumento do défice.

"Isso não é verdade", afirmou José Sócrates, contrapondo que aquilo que o seu Governo fez, como outros governos da Europa, foi medidas para "conter o efeito social e económico das crises financeiras".

O primeiro ministro alegou ainda que o PSD não propôs que fossem tomadas "medidas difíceis" mais cedo em Portugal, antes propôs medidas que agravavam o défice como a redução da taxa social única ou o fim do pagamento especial por conta.

E sustentou que, embora tenham sido "os mercados desregulados" a estar na origem desta crise, a direita europeia aproveitou estas circunstâncias para atacar o Estado.

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