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Conselho Nacional do CDS promete polémica: "Chicão" vai ouvir críticas

Conselho Nacional do CDS promete polémica: "Chicão" vai ouvir críticas

A reunião do Conselho Nacional do CDS de amanhã promete ser "acesa" e não só pelo facto de se realizar online. Há conselheiros que acham que o partido demorou tempo demais para decidir se apoia a recandidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, mas também vozes críticas à liderança de Francisco Rodrigues dos Santos à frente do partido.

A deputada Ana Rita Bessa diz não haver "margem" para outro cenário se não o apoio a Marcelo e Hélder Amaral fala num partido "encurralado". O facto de a discussão ir ocorrer online, pelo facto de o líder estar em isolamento profilático por ter todo contacto com um caso positivo de covid-19, também está a gerar críticas.

Segundo disse fonte interna do CDS ao JN, a decisão de organizar o Conselho Nacional via Internet não caiu bem em vários quadrantes do partido, que pretendiam uma reunião presencial. Francisco Rodrigues dos Santos recorde-se esteve em contacto com o líder da JP, Francisco Mota, que testou positivo.

Hélder Amaral, ex-deputado e atual membro do Conselho Nacional, admite que possa não ser possível fazer melhor nesta altura. No entanto, disse ao JN que gostaria que a direção "não se escondesse atrás da pandemia". Outra fonte também reconhece que, embora possa ser inevitável, realizar a reunião online não é a situação mais desejável.

Discussão devia ser em congresso

Sobre as presidenciais, Hélder Amaral, considera que o partido "não tem outra solução" a não ser apoiar Marcelo Rebelo de Sousa. Isso, defende, ocorreu devido à "incompetência" de uma direção que se deixou "encurralar" por um presidente incapaz de "galvanizar o país".

Para o antigo parlamentar, Marcelo é o "presidente da fatalidade, do 'não é possível fazer mais'". O tema das presidenciais "devia ter sido discutido no congresso" de janeiro, que elegeu Francisco Rodrigues dos Santos, mas os assuntos dominantes nessa ocasião foram os de "ambição pessoal", considera.

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Hélder Amaral lembra que os partidos devem "marcar a agenda" e não ir atrás dela. Mas, se Marcelo não lhe agrada, os restantes candidatos ainda menos: "Votar na extrema-direita ou na extrema-esquerda é inaceitável", defende.

Mandato de Marcelo foi "criticável", mas "não é espinha encravada"

Ana Rita Bessa disse ao JN que o apoio do CDS a Marcelo será "natural" e que o atual chefe de Estado "reúne as condições" para ter os democratas-cristãos do seu lado.

No entanto, a deputada reconhece que o partido já não tem "grande margem" para tomar qualquer outra decisão: as presidenciais são já a 24 de janeiro e o CDS foi "o único partido de Direita" que não apresentou candidato próprio.

Embora admita que, por vezes, o mandato de Marcelo foi "contestável e até criticável", Ana Rita Bessa garante que o apoio a Marcelo não representará "nenhuma espinha encravada" para o partido.

A parlamentar reconhece que, no CDS, há "visões muito diferentes quanto ao desempenho do atual presidente". No entanto, prefere destacar a "visão política informada e com traquejo" do chefe de Estado, acalentando esperanças de que o eventual segundo mandato seja "mais universalista".

O deputado João Gonçalves Pereira confirmou ao JN que defende que o CDS apoie Marcelo nas presidenciais. Telmo Correia, Cecília Meireles e João Almeida, os restantes parlamentares do partido, remeteram a decisão para o Conselho Nacional deste sábado.

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