Covid-19

Conselhos úteis: A matemática detrás das recomendações

Conselhos úteis: A matemática detrás das recomendações

As Autoridades de Saúde estão a tentar retardar a propagação do surto de Covid-19, pedindo isolamento, distanciamento social e higiene.

O cancelamento de eventos, o encerramento de escolas, a redução de visitas a espaços públicos, a promoção do teletrabalho são estratégias simples, poderosas e eficazes no controlo da transmissão da doença na comunidade, aliada ao diagnóstico precoce (identificação dos doentes) e seu isolamento. Estas medidas serão tão mais eficazes quanto mais precocemente forem implementadas, altura em que menos pessoas estão infetadas e mais vidas podem ser salvas.

O que significa dizer que o crescimento é exponencial?

Atualmente na maior parte dos países a transmissão do Covid-19 segue um crescimento exponencial. Ou seja, a taxa de propagação da infeção é proporcional ao número de pessoas infetadas. Cada pessoa infetada infeta um certo número de pessoas - cerca de 2,5 no momento - que, por sua vez, infetam mais 2,5 e assim por diante, a menos que sejam tomadas medidas drásticas para reduzir o contacto social e isolar os infetados das outras pessoas.

E este crescimento vai-se manter por quanto tempo?

O Covid-19 não pode transmitir-se de forma exponencial para sempre. Existem limites máximos para a população e, com o tempo, as pessoas começam a criar imunidade à doença e os infetados começam a recuperar. Existe, por isso, um limite máximo natural. Como em muitos outros surtos, espera-se que ocorra um pico e um declínio no número de novos casos.

E porque é que é importante diminuir esse pico?​​​​​​​

Porque se conseguirmos achatar esse pico e criar um planalto ao longo do tempo, ganhamos um tempo valioso que nos permite desenvolver novas abordagens terapêuticas e de prevenção e simultaneamente garantir que os recursos que temos à nossa disposição (como camas e ventiladores) são suficientes para a procura de cuidados, evitando a sobrecarga dos doentes. O achatamento da curva de casos ao longo do tempo pode, portanto, salvar vidas.

*Pneumologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho

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