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PS não se vai opor a nova Comissão de Inquérito sobre Tancos

PS não se vai opor a nova Comissão de Inquérito sobre Tancos

O PS está disposto a que haja uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Tancos. A confirmação chegou pela voz de Filipe Neto Brandão, durante a Comissão Permanente que reuniu esta quarta-feira à tarde na Assembleia da República.

"O PS quer que todos os factos relativos a Tancos possam ser apurados e todas as responsabilidades imputadas. Se uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Tancos vier a ser requerida, viabilizá-la-emos", disse o deputado socialista.

Ainda assim, Neto Brandão acusa PSD e CDS de proferirem "insidiosos julgamentos de caráter" a respeito do ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, violando assim "o princípio da presunção de inocência" e dando "a uma acusação criminal uma natureza que a lei e a Constituição lhe recusam". "Ser acusado não significa ser condenado", lembrou o socialista, acrescentando ainda que "partir do contrário é alimentar justicialismos populistas" - ou seja, numa palavra, uma "indignidade".

O PSD, partido que tinha requerido uma Comissão de Inquérito para os últimos dias da campanha eleitoral, considerou, através do líder parlamentar Fernando Negrão, ser importante que António Costa avalie a actuação de Azeredo Lopes e diga também, publicamente, "quando soube e o que sabe" do caso Tancos. Negrão voltou também a vincar que a Comissão "deveria ter ocorrido na semana passada [antes das eleições]", alegando que PS, BE, PCP e PEV impediram que os portugueses fossem informados.

No entanto, foi o também social-democrata Duarte Marques quem lançou as mais diretas acusações a António Costa e ao Governo: "Parecem não restar dúvidas de que o ex-ministro Azeredo Lopes mentiu" na anterior Comissão e Inquérito sobre Tancos" e, também, de que "o Governo sabia de tudo desde a primeira hora", uma vez que, segundo o deputado do PSD, este caso "holywoodesco" sempre foi demasiado grave para que o ministro da Defesa não tivesse informado, na altura, o primeiro-ministro.

Já o CDS considerou, através de Telmo Correia, que António Costa "não pode fugir" a certas questões, nomeadamente qual o grau de informação que Azeredo Lopes tinha sobre os acontecimentos de Tancos. Sustentando que o ex-ministro da Defesa soube de tudo "no dia seguinte à encenação da recuperação das armas", o deputado centrista considerou que a Esquerda quis "pura e simplesmente branquear" as várias incongruências que, no seu entender, Azeredo Lopes já tinha manifestado na primeira Comissão de Inquérito. "Se for necessário cá estaremos" para nova Comissão, concluiu.

Esquerda fala em "politização" do caso

Mais à esquerda, Pedro Filipe Soares, do BE, considerou que PSD e CDS "politizaram" o tema, fazendo questão de recordar que o envolvimento de Azeredo Lopes "não está provado". O líder parlamentar do partido acrescentou, contudo, que os bloquistas estão dispostos a continuar a tentar apurar o caso, desde que recorrendo sempre a "factos" e não a "suposições".

António Filipe, do PCP, acusou a Direita de ter querido "tornar Tancos o caso principal da campanha eleitoral", ironizando: "Rio Rio, ele que tanto criticou o Ministério Público no passado, agora parece ter feiro as pazes" com esse organismo do Estado. António Filipe garantiu que os comunistas desejam "apurar se alguém faltou à verdade" perante o Parlamento mas que vão "aguardar que a justiça funcione". "Em função disso, tiraremos as ilações políticas que houver a tirar", acrescentou.

Já os Verdes, através de José Luís Ferreira, disseram que PSD e CDS não querem tratar este assunto "de forma séria", admitindo no entanto a importância de apurar se Azeredo Lopes "prestou ou não falsas declarações" junto da Comissão de Inquérito.

À exceção do PCP, que não o disse explicitamente, todos os partidos com assento parlamentar, incluindo o PS, declararam aceitar a formação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso do roubo das armas.