Crise

Construção não prevê melhorias nos "próximos tempos"

Construção não prevê melhorias nos "próximos tempos"

Efeitos da guerra na Ucrânia e do confinamento em Xangai estiveram em debate no Porto esta quarta-feira. Foram defendidas estratégias de diversificação.

"Não é crível que as coisas melhorem nos próximos tempos". A frase de José Matos, secretário-geral da Associação Portuguesa de Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC), traduziu o sentimento geral de um debate sobre "a execução contratual em tempos de incerteza", com estratégias de diversificação a serem apontadas como solução para sobreviver à crise.

No encontro organizado no Porto pela Ordem dos Engenheiros da Região Norte, José Matos, também dirigente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, recordou que "foi surpreendente o comportamento dos preços dos materiais na primeira fase da pandemia", após uma evolução negativa no final de 2019.

Agora, além da guerra na Ucrânia e da dependência do gás russo, o economista avisa que o confinamento na China, nomeadamente em Xangai, traz "mais problemas de custos de transporte e de preços", com "20% dos contentores presos nos portos chineses".

Perante "enormes subidas de preços em alguns produtos" e falhas no abastecimento, referiu que a situação "é muito difícil de gerir por todos os intervenientes da cadeia da construção", mas "não foram todos afetados da mesma maneira". Foi então que considerou não ser "crível que as coisas melhorem nos próximos tempos", nem "expectável que haja revisão em baixa de preços".

"Temos de estar preparados" porque esta flutuação de preços continuará "durante mais alguns meses", apelou José Matos, quando ainda nem conhecemos os efeitos do confinamento na China.

Alcibíades Paulo Guedes, presidente do INEGI - Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial, disse que "continuaremos a ver oscilações de preços" também nos serviços logísticos. "Até final do ano", teremos problemas nas cadeias de abastecimento. E "o facto de Xangai estar fechado agora só terá efeitos daqui a uns meses" na Europa e nos EUA, alertou ainda.

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Outros fornecedores
Jorge Fesch, presidente da Aapico (componentes e acessórios para veículos automóveis) também falou das restrições nas cadeias de abastecimento que continuam a atrasar as entregas. "Como vamos sobreviver?", questionou, dizendo ser necessária uma "capacidade de diversificação", incluindo geográfica, na escolha dos fornecedores. E apontou áreas mais imunes à crise, como os caminhos de ferro, o desporto, os painéis solares e as eólicas. Defende "medidas para mitigar" o impacto, como as "estratégias de diversificação", avisando que "a guerra não se vai resolver tão cedo" e pode "manter-se ativa durante alguns anos".

"A dependência do gás russo pode trazer problemas muito complicados à Europa. A Alemanha está muito fragilizada. A Península Ibérica está mais protegida mas os clientes são europeus", referiu ainda.

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