Conselhos úteis

Continuamos sem tratamento para a covid-19

Continuamos sem tratamento para a covid-19

A covid-19 é uma doença nova, causada por um agente que ainda se conhece mal. Apanhou todos de surpresa e apesar de ter havido um enorme envolvimento de toda a comunidade científica, ainda há muito por esclarecer.

Face a um vírus desconhecido, foram usados fármacos utilizados anteriormente para tratar infeções por outros coronavírus, como a SARS (síndrome respiratória aguda grave) ou a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS). Esses foram os primeiros candidatos ao tratamento da covid-19, mas têm sido utilizados vários fármacos ao longo da pandemia. Ao mesmo tempo, foram iniciados vários ensaios clínicos destacando a necessidade urgente de uma terapêutica eficaz suportada em evidência clínica.

À data de hoje e apesar do uso de medicamentos antivirais e/ou anti-inflamatórios, nenhum tratamento é comprovadamente eficaz na abordagem da covid-19. Na realidade, e apesar do grande número de artigos publicados sobre esse assunto na comunidade científica, a maior parte dos estudos são observacionais ou relatos de casos ou séries de casos. Os ensaios clínicos em curso englobam diferentes medicamentos ou combinações diferentes e embora haja alguns resultados promissores, também há resultados dececionantes.

Nesta altura, há uma série de ensaios clínicos a estudar a eficácia da hidroxicloroquina, remdesivir, lopinavir/ritonavir, favipiravir, tocilizumab, plasma de doentes recuperados, e imunoglobulinas. A maioria dos ensaios clínicos está em curso e antevê-se os primeiros resultados preliminares em finais de junho de 2020.

Surgiram, entretanto, algumas expetativas em relação à vacina BCG. Alguém olhou para os dados de letalidade por covid-19 em diferentes países ao mesmo tempo que olhava para a cobertura vacinal por vacina BCG e concluiu que como a letalidade por covid-19 era menor nos países com maior cobertura vacinal, então esta teria um papel protetor. O único problema é que a comparação entre países é influenciada por potenciais confundidores tais como as diferentes fases da pandemia, idade média da população afetada, capacidade de resposta do sistema de saúde, definição de mortes associadas à covid-19 (há países que não fazem diagnóstico pós-morte) ou até à cobertura da notificação. Foi agora publicado um estudo em que analisadas cerca de 6000 pessoas, em Israel, entre os 35 e os 41 anos, não foi encontrado qualquer efeito protetor por parte da BCG em relação à covid-19.

Aguardamos por tratamentos eficazes e por uma vacina. Até lá, temos mesmo de manter os comportamentos que têm sido eficazes na redução do risco de transmissão - distância, etiqueta respiratória, lavagem de mãos e máscara em ambientes fechados.

*Pneumologista