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Cooperativas deixam de construir e apostam no apoio social

Cooperativas deixam de construir e apostam no apoio social

"As cooperativas de habitação já não constroem nada. Limitam-se a gerir património, tratar dos condomínios e estão, sobretudo, voltadas para a área social a criar e a gerir creches, centros de dia e serviços de apoio a idosos." O retrato do setor é feito ao JN por Guilherme Vilaverde, presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e responsável pela Cooperativa Sete Bicas, em Matosinhos.

Das 52 cooperativas (já foram mais de 200) registadas em Portugal, apenas a dos Funcionários Judiciais está a construir [ler texto ao lado]. Em Lisboa, a Cooperativa Vale Formoso de Cima tem um projeto para a construção de 72 habitações. As restantes estão inativas no que diz respeito a construção. "Há 12 anos, parou tudo quando acabaram os financiamentos do Estado e da Europa", confirma Vilaverde.

Em três décadas, foram construídas mais de 180 mil casas para famílias que se juntaram em cooperativas e que, mensalmente, durante anos, pagavam uma quota que servia também para pagar a futura habitação. Na prática, quando a habitação estava concluída, na maioria dos casos, "cerca de metade do custo da casa já estava pago. O restante, era pago pelas famílias em mensalidades idênticas às que agora se pagam aos bancos", frisou o presidente da FENACHE.