Covid-19

Coordenador da task force não confirma total aproveitamento das doses de vacina

Coordenador da task force não confirma total aproveitamento das doses de vacina

O coordenador da task force de vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos, admitiu esta sexta-feira que o aproveitamento de uma sexta dose por cada frasco da vacina da Pfizer-BioNTech não ocorreu em todos os pontos de vacinação em Portugal.

"Não consigo confirmar isso. A vacina foi aprovada com uma organização de cinco doses por frasco e apenas hoje, 8 de janeiro, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) - que é a entidade competente - aprovou a sexta dose por frasco", afirmou, acrescentando: "Até hoje, temos boa parte dos pontos de vacinação a utilizarem seis doses, mas outros, de uma forma conservadora, ainda cinco doses".

Francisco Ramos disse à Lusa que não existiu, no entanto, "desperdício" de vacinas desde o início da administração no país, em 27 de dezembro, lembrando que a utilização de seis doses por frasco já tinha sido aprovada no final do ano pelo regulador norte-americano e que a própria Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) já tinha emitido "uma circular a dizer que isso era possível", desde que cada dose contivesse a quantidade certa de vacina.

"Haveria potencialmente uma sexta dose, mas, do ponto de vista formal, agora é que podemos assumir que é possível administrar a vacina a seis pessoas com um frasco. Acho que não há nenhum desperdício, há sobretudo um enorme ganho daqui para a frente. Na prática, vai permitir acelerar o processo de vacinação", frisou.

Questionado sobre as consequências imediatas da decisão anunciada esta sexta-feira pela EMA, Francisco Ramos explicou que a alteração do número de doses por frasco da vacina da Pfizer-BioNTech "vai formalizar uma situação que já poderia estar a ser praticada e que já estava a ser praticada, [mas] não de uma forma universal".

Quanto à ausência de uma norma sobre esta matéria por parte da Direção-Geral da Saúde (DGS), face à existência de uma orientação já divulgada pelo Infarmed, o responsável da 'task force' constituída pelo governo para gerir o processo de vacinação contra a covid-19 ilibou o organismo liderado por Graça Freitas de qualquer responsabilidade e vincou que "a norma que estava em falta foi aquela que a EMA hoje disponibilizou" e que vai formalizar o processo.

"A informação oficial que tinha sido difundida e utilizada nos processos de formação das pessoas só podia ter sido uma: cada frasco de vacina é para utilizar para cinco administrações", referiu, sem deixar de mencionar sobre a nota do Infarmed que, "provavelmente, é bem possível que no dia 30 de dezembro não tenha chegado a todos os pontos de vacinação".

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Num comunicado divulgado esta sexta-feira, o Ministério da Saúde esclareceu que, por orientação do Infarmed, os profissionais de saúde já retiravam seis doses de cada frasco da vacina da Pfizer-BioNTech, "desde que fosse sempre verificado e assegurado o volume de 0,3 mililitros (ml) previamente a cada administração". O esclarecimento surgiu depois de o jornal Expresso avançar que a falta de uma norma da DGS estava a fazer desperdiçar a 6.ª dose.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 1.899.936 mortos resultantes de mais de 88 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 7590 pessoas dos 466.709 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde e o estado de emergência decretado em 9 de novembro para combater a pandemia foi renovado com efeitos desde a meia-noite de 8 de janeiro, até dia 15.

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