Estudo

Coração da mosca responde ao perigo da mesma maneira que o humano

Coração da mosca responde ao perigo da mesma maneira que o humano

Estudo do Centro Champalimaud ajuda a perceber como o cérebro controla comportamento defensivo e abre novos caminhos de investigação, já que o coração das moscas é usado para estudos de cardiologia relacionados com doenças

Investigadores do Centro Champalimaud descobriram que os corações das moscas-da-fruta mudam de ritmo quando estão em perigo, exatamente como os dos humanos. Este resultado, juntamente com outros descritos no estudo que é publicado, esta quarta-feira, na revista "Current Biology", "colocam em causa o que sabemos sobre a evolução dos comportamentos defensivos", referem os investigadores em comunicado.

Segundo Natália Barrios, autora sénior do estudo, "o coração das moscas é habitualmente usado para estudar vários aspetos da cardiologia, principalmente relacionados com doenças", já que as moscas e os humanos partilham muitos genes. A descoberta desta nova similitude permite, assim, explorar novos caminhos. "Eventualmente, esperamos que o conhecimento alcançado na mosca, leve a um entendimento de como o cérebro controla o comportamento em outros animais, incluindo humanos", acrescenta Marta Moita, outra investigadora do estudo.

Mecanismo evolutivo

Ao iluminar as células do coração da mosca (uma estrutura minúscula composta por apenas duas filas de células) com moléculas fluorescentes, os investigadores conseguiram observar a sua atividade, através do exoesqueleto transparente da mosca, enquanto esta andava. Ocasionalmente, um círculo escuro em expansão aparecia projetado numa grande tela, em frente à mosca, simulando uma ameaça que se aproximava. "Surpreendentemente, tal como acontece nos humanos, a atividade do coração da mosca alterava-se em função da resposta de defesa adotada. Se a mosca decidisse fugir, o coração acelerava, mas se a mosca se imobilizava, o seu coração ficava mais lento", conta Barrios.

O resultado surpreendeu, pois nos vertebrados estas mudanças na atividade cardíaca são desencadeadas pelo sistema nervoso autónomo, que não existe nas moscas. "Esta descoberta demonstra que a relação entre a atividade cardíaca e a resposta ao perigo é um mecanismo evolutivo vantajoso", ressalta Moita. "Agora, a questão é saber se o mecanismo que gera essas respostas na mosca é homólogo ao dos vertebrados ou se há um mecanismo totalmente diferente".

A equipa descobriu ainda que, caso a mosca decidisse fugir ou ficar imóvel, "o coração bombeava mais ativamente na direção da parte frontal da mosca", refere Barrios, explicando que este facto também surpreendeu porque a imobilização era considerada como um comportamento de poupança de energia. Os resultados, porém, sugerem que a paralisação é um estado de preparação ativa.

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Os investigadores procuram agora aprofundar aquele conhecimento e concentram-se em identificar e perceber o funcionamento da estrutura neural que, nas moscas, controla as respostas cardíacas ao perigo.

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